Dercap desencadeia segunda fase da Operação Porta Fechada e comprova fraude no Enem 2016

Publicado em 30/10/2017
Fonte: A A A

WhatsApp Image 2017-10-30 at 13.52.48(1)Por ocasião das investigações da venda de vagas e fraude do concurso de Delegado de Polícia, investigadores da Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Contra a Administração Pública (Dercap) se depararam com provas da venda de vagas e fraude no Enem 2016. Em consequência do resultado das diligências empreendidas com vistas à elucidação dos indícios, a especializada deflagrou a segunda fase da Operação Porta Fechada. O objetivo da ação foi cumprir oito mandados de prisão, 11 de condução coercitiva e 19 de busca e apreensão na manhã de segunda-feira (30).

Uma das candidatas identificadas confessou que seu cônjuge comprou a vaga no concurso, mas, por conta de um desacordo posterior ela deixou de participar do esquema e não foi aprovada, em que pese parte do pagamento ter se consumado por meio da emissão de dois cheques.

O esposo dela, por sua vez, confessou que lhe foi oferecida a vaga no concurso de delegado de polícia pelo valor de R$ 250 mil. Metade desse valor deveria ser paga antes da prova. O restante, após a aprovação. Ele repassou a um dos investigados dois cheques: um no valor de R$ 75 mil e outro de R$ 50 mil.

Este investigado solicitou ao casal que se encontrassem com um comparsa no dia da prova objetiva para receber informações sobre a fraude. Na oportunidade, o casal se deslocou até uma lanchonete em Goiânia, onde conheceu este comparsa. Durante o encontro, a mulher foi orientada a preencher apenas dez questões na folha de respostas e, em seguida. Em seguida, o fraudador passou a exigir a emissão de outro cheque como garantia do restante do pagamento. Como tal exigência não estava previamente combinada, houve um desacordo entre as partes, motivo pelo qual ela não foi inserida na fraude e nem aprovada.

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Mandados foram cumpridos na manhá de segunda-feira (30)

Segundo relatos do casal, após a não aprovação da mulher, um dos golpistas ofereceu uma casa em garantia à restituição do valor pago. Esse imóvel foi identificado. Seus proprietários foram intimados e, na DERCAP, confessaram que esse bem fora repassado ao grupo criminoso em pagamento à aprovação no Enem do seu filho, fato ocorrido no ano de 2016.

Durante sua oitiva, o filho dos proprietários da casa confirmou sua participação na fraude no Enem. Cerca de duas semanas após as provas, ele foi levado até um posto de combustível no Distrito Federal, possivelmente em Taguatinga, local em que terminou de fazer a redação. Ele relatou ainda que, durante essa viagem, dois carros se deslocaram de Goiânia até Brasília com cinco candidatos do Enem, todos com intuito de fazerem a redação, acompanhados por membros do grupo investigado.

O jovem e outros três candidatos, identificados e apontados por este como beneficiários da fraude e venda de vagas, encontram-se atualmente estudando o primeiro ano do curso de Medicina junto a Universidade Federal de Goiás.

Duas aprovações
Outra candidata, por intermédio de um advogado, acordou o pagamento da quantia de R$ 850 mil junto aos aliciadores, visando tanto à sua aprovação no concurso de delegado de polícia de Goiás quanto a aprovação da sua filha no Enem 2016.

Para garantir o pagamento, ela simulou um contrato particular de compra e venda, no qual supostamente vende um imóvel de família, objeto de inventário, a um terceiro. Trata-se de um sobrado geminado, situado no Setor Sul, em Goiânia, pelo valor de R$ 850 mil.

“Trata-se de um negócio simulado, visando ocultar a finalidade do contrato: garantir o futuro pagamento pela fraude e aprovação no concurso, bem como o verdadeiro beneficiário do negócio, um aliciador”, afirma o delegado responsável pelo caso, Rômulo Figueredo Matos. “A prova disso reside no fato de que, durante o cumprimento do mandado de busca e apreensão na residência de um dos aliciadores, foi apreendida uma nota promissória emitida no mesmo valor da casa, sendo que a mulher endossou tal título em seu verso” informa a autoridade policial.

Diante da repercussão da fraude provocada pelas prisões em flagrante no dia da 2ª fase do concurso publico, a mulher encaminhou uma notificação para o aliciador propondo de distrato do negócio referido, na qual manifestou o desejo de não vender o seu imóvel.

Tal fato é confirmado, ainda, no relatório de análise da agenda apreendida em poder do aliciador, na qual constam o nome, o número de inscrição e a senha de login da filha da mulher. Na página relativa ao dia 04 de março, constam diversos nomes e valores relativos à possível venda de aprovação no Enem. Junto ao nome de algumas pessoas, há a expressão “não deu”.

“Acredita-se que alguma circunstância alheia ao grupo criminoso impediu que a fraude dos cartões respostas dessas pessoas fosse consumada, motivo pelo qual algumas não foram aprovadas”, comenta o delegado Rômulo Figueredo.

Durante a busca no veículo de um dos líderes da organização criminosa, foi apreendida uma agenda contendo nomes de vários candidatos, bem como concursos e vestibulares fraudados por todos país. Foi possível identificar ainda uma relação de nomes contendo número de CPF e/ou número de inscrição e senha referentes ao Enem. Todas essas pessoas relacionadas na agenda com seus respectivos dados participaram do Enem 2016. Nessa relação, foi possível identificar aprovados para o curso de medicina por meio da nota de desempenho no Sisu-Enem.

Fonte: A A A
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