Estatísticas e crime

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João Lemes

Estatísticas e crime

A Secretaria de Segurança Pública e Justiça de Goiás divulgou na semana passada, com ares de comemoração, o resultado da Operação Carnaval que, comparado com o de anos anteriores, mostra redução nos índices de criminalidade no Estado. O dado mais positivo está relacionado a estelionatos, com queda de 73%. Os furtos a residência caíram 50% e os de estabelecimentos comerciais, 47%.

Os registros de homicídios também tiveram redução de 36%. Na outra ponta, cresceu o número de carros roubados ou furtados, mas os responsáveis pelo setor de segurança apontam como fator positivo o aumento no índice de recuperação de veículos. Na avaliação dos órgãos governamentais, no comparativo com outros carnavais, o esquema de segurança montado para este ano foi eficiente.

Vistos apenas como estatística, os números são realmente positivos. Na comparação, revelam redução considerável em vários tipos de crimes. Mas o quadro torna-se preocupante quando se leva em conta a base de dados para a comparação. Vivemos uma realidade de violência extrema, intolerável e preocupante para a sociedade, e os números ainda assustam.

Pelos dados divulgados, mesmo com o reforço na ação da polícia, 18 pessoas foram assassinadas no período do carnaval, além de outras 36 tentativas de homicídio. Os estelionatos somaram 22 e as vias de fato, 71. Foram 120 veículos roubados ou furtados. Outro número assustador: 102 residências roubadas ou furtadas, mesma modalidade de crime ocorrida em 70 estabelecimentos comerciais. Foram presas 71 pessoas por posse de drogas e outras 37 por tráfico de entorpecentes.

Essa realidade nos mostra que, dada a situação a que se chegou a violência, são necessárias ações estratégicas na busca de soluções. As ações pontuais minimizam a violência em alguns momentos, mas o combate à criminalidade só terá efeito a longo prazo com investimentos no setor de inteligência das polícias.

Na Operação Carnaval, por exemplo, foram presas 71 pessoas por porte de drogas. Mas fica a pergunta: de onde veio essa droga para ser distribuída no varejo? Grandes quadrilhas estão por trás do esquema de distribuição. E para desmontá-las são necessárias ações muito bem planejadas dos órgãos de segurança. Exemplos disso foram duas ações da Polícia Civil – uma da goiana e outra em conjunto com a do Distrito Federal -, que resultaram na apreensão de mais de 450 quilos de drogas e desarticulação de duas quadrilhas. Vale sempre lembrar que nos registros de homicídios uma das principais causas apontadas é o acerto por dívidas relacionadas a drogas.

A situação é semelhante em relação aos furtos e roubos de veículos. Essa modalidade de crime cresce a cada dia, apesar dos esforços da polícia. Isso mostra que, sem desarticular as grandes quadrilhas, o esforço que culmina na prisão de pequenos assaltantes torna-se quase inútil.

Artigo publicado na edição de hoje (dia 27) do Jornal O Popular