A mente de um criminoso

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Jesseir Coelho de Alcântara, juiz de Direito e professor.
Jesseir Coelho de Alcântara, juiz de Direito e professor.

A psicologia criminal é fundamental para tentarmos compreender como pensam os criminosos e o que os pode levar a cometer um crime. Quais os fatores que influenciam a sua maneira de agir e de ver o mundo.

A principal teoria defendida por especialistas sobre como funciona a mente de um criminoso, principalmente passional, é a dificuldade de lidar com frustrações. As pessoas não sabem resolver seus próprios problemas e elas não têm experiência anterior de resolução de seus conflitos e não aceitam as perdas de não ter conseguido determinado objetivo. Outro ponto destacado por psicólogos é o fato de os criminosos  passionais não saberem se colocar no lugar do outro, entender que o outro tem escolhas e de que pensa diferente. Ele não entende que o outro é um ser humano que tem vontade própria.

Os especialistas no assunto ainda ensinam que o comportamento criminoso não pode ser explicado por algum tipo de alteração morfológica no cérebro, como falhas em partes que controlam a emoção e o pensamento, mas o que pode determinar se o indivíduo será violento ou não, é seu histórico de vida; os primeiros contatos com o pai, a mãe e a sociedade. A forma que essa pessoa vai lidar com seus relacionamentos pessoais é que vai determinar os traços de característica dela.

O comportamento violento nunca poderá ser atribuído a uma única causa. Antes de tudo, é preciso compreender que a combinação destes fatores é que engendra o comportamento violento. Embora não possa ser atribuído a uma causa única, o comportamento violento é um problema social que envolve uma série de reflexões e psicopatias, que ultrapassam o ato defeituoso em si.Gestos faciais e corporais podem descrever os estímulos inconscientes que levam o indivíduo a cometer qualquer delito e propõem a compreensão do crime e da violência como uma multiplicidade de prazer, afirmam alguns psiquiatras.

Os estudiosos do cérebro explicam: a agressão vem da nossa natureza animal. O lobo frontal, uma região da testa, é que libera ou não os comportamentos agressivos. Muitos testes psicométricos foram criados para analisar o cérebro e determinar a capacidade mental dos indivíduos. O mais famoso é o teste de Rorschach – pelo qual são analisadas as interpretações de uma pessoa em alguns desenhos abstratos.

Nós, juristas, não entendemos cientificamente a mente de um criminoso. Dependemos da avaliação técnica de profissionais da área para aferirmos nossas decisões. A partir daí aplicamos a legislação penal ao caso concreto dentro daquilo que ela estabelece para o inimputável (doente mental), o semi-imputável (perturbado mental) ou o indivíduo que possui transtorno de personalidade antissocial (psicopata).

Muito embora o magistrado tenha experiênciapara sentir, em parte, como funciona a mente de um criminoso, melhor deixar para os profissionais da área a análise científica de seu cérebro, evitando-se o ditado popular: “enganei o juiz e me dei bem”. Afinal, de louco cada um tem um pouco.