A morte mora no trânsito

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Jesseir Coelho de Alcântara

A morte mora no trânsito

A revista Veja publicou recentemente um especial que aponta que “novas estatísticas mostram que a violência no trânsito é a segunda maior causa de morte no país, à frente até de homicídios, um efeito do desrespeito às leis e da má qualidade dos motoristas”. O Brasil teve 60.752 mortos em 2012 no trânsito, muito mais que algumas guerras. O número de vítimas é muito superior ao que fazem crer as estatísticas porque certamente muitas ocorrências não são registradas. São verdadeiros assassinos ao volante.

Infelizmente na nossa pátria morre-se mais em acidentes de trânsito do que por homicídio ou câncer sendo a quinta maior taxa do planeta, aponta a imprensa.

Longos engarrafamentos, motoristas imprudentes, falta de direção defensiva geram brigas no trânsito por causa de simples desentendimentos o que vêm ocasionando agressões e mortes por simples arranhões. Essas brigas são causadas por fatores comportamentais, aliadas ao estresse, acarretando reações arrogantes.

O certo é que nós, brasileiros, dirigimos muito mal. Usa-se muito o celular ao volante; dirige-se alcoolizado; guia-se o veículo colado na traseira do carro à frente; transita-se acima da velocidade permitida; deixa-se de ligar a seta; não se usa o cinto de segurança; não se faz manutenção adequada do veículo. Esses são alguns pecados dos motoristas ao volante de um carro.

Com a entrada em vigor da Lei Seca em 2008 houve uma melhoria no tráfego e o impacto foi imediato, a princípio, com motoristas hábeis e prudentes, entretanto bastou um certo tempo, depois de longas discussões jurídicas sobre a novel legislação, para que o quadro se alterasse e voltasse à impunidade. Hoje o bafômetro não assusta mais. Aliás, dificilmente se vê uma operação fiscalizadora ante a falta de credibilidade na punição aos infratores.

Necessário se faz uma fiscalização eficiente e constante para poder fazer os cidadãos abandonar as condutas de risco até que a postura responsável se torne automática,  é o que propaga a revista Veja na matéria.

Vivenciei pessoalmente na China a reversão de uma situação calamitosa em que os acidentes de trânsito haviam se tornado a principal causa de morte num lapso de dez anos. Essa diminuição se deu por políticas públicas de educação e conscientização e com atuação do governo em infraestrutura de ruas, ciclovias e rodovias.

O Brasil poderia seguir na mesma trilha para essas tragédias não nos deixasse como campeão inglório de mortes no trânsito.

 Jesseir Coelho de Alcântara  é Juiz de DIreito e Professor