Delegada Adriana, esperança de maior segurança

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Licínio Barbosa

Toda a imprensa goiana vem alardeando, aos quatro cantos, a pletora de crimes que domina o torrão goiano, numa profusão sem precedentes. Os responsáveis pela segurança, a despeito de sua inegável competência, não tem conseguido evitar que, a todo momento, sejam praticados, avassaladoramente, novas ondas de crimes violentos. Daí por que, numa decisão feliz, o Governador e o Secretário da Segurança Pública resolveram fazer um remanejamento nos setores mais intimamente ligados a ações repressivas e preventivas visando a conter a criminalidade que asfixia as cidades e, agora, também o campo em terras goianas.

Nesse remanejamento, aconteceu a designação da Delegada Adriana Accorsi para o honroso cargo de Delegada – Geral da Polícia Civil do Estado. Foi, deveras, uma agradabilíssima surpresa. Primeiro, porque, pela vez primeira, uma mulher é nomeada para esse cargo de extrema responsabilidade, pelas suas amplas atribuições mais compatíveis com a estrutura biopsicológica do sexo masculino. É verdade que Adriana já havia dado provas de energia, de firmeza, e de enorme determinação em casos complexos como o caso do maníaco “Corumbá”, verdadeiro “serial killer”, que apavorou vários setores da população. E, também, o caso da menina Lucélia dos Santos, torturada, impiedosamente, pela ex-empresária Sílvia Calabresi que chocou a sociedade goianiense. Dentre outros casos de grande complexidade.

Conheço Adriana desde o Curso de Especialização em Direito  Penal, onde foi minha aluna, na Faculdade de Direito da Universidade Federal. Ali, quer pelos trabalhos monográficos, quer pela sua apresentação, em classe, diante dos colegas (turma de Advogados, Juízes, Promotores de Justiça), já revelava o brilho da inteligência, a coerência do raciocínio lógico, a força de suas convicções. Tudo nela prenunciava uma carreira vitoriosa, como deveras iria acontecer.

Na sua entrevista à jornalista Wanda Oliveira, com a colaboração da jornalista Leydiana Alves, ambas do “Diário da Manhã”, publicada na edição de 11.12.2011, Caderno Cidades, pág. 3, Adriana disse a que veio.

Eis uma breve síntese de seu pensamento:

 1.É preciso “estimular o policial a fazer seu trabalho, mesmo em condições que não são as ideais. (…) Delegados (há) que estão há  mais de sete anos sem reajuste salarial.

 2. Acredita haver “um déficit de pelo menos 200 Delegados, e cerca de mil Agentes e Escrivães (…). Vamos fazer um planejamento a longo prazo  de concursos públicos para essa área”.

 3. E esclarece: “Estamos preparando um concurso para ser realizado em um prazo de seis meses”.

 4. Quanto às principais operações deflagradas pela Polícia Civil, desde sua posse, destacam-se as “ligadas ao tráfico de entorpecentes e homicídios”. adiantando que vai trabalhar buscando coibir o tráfico, mesmo que sejam os pequenos”, destacando que “este foi  o ano  (em)  que mais houve apreensão de entorpecentes em Goiás. Tem que focar as bocas-de-fumo existentes nos bairros da Capital. Por meio do disque-denuncia, descobrimos que esse número é grande, inclusive nas regiões mais humildes”. E adianta: “A droga que lidera é o crack”.

 5.No que concerne aos dependentes químicos, concorda, Adriana, em que ele “tem que ser  tratado”  E acrescenta: “É preciso estimular as políticas públicas relacionadas ao uso de  entorpecentes.”  E revela seu propósito: “Pretendo investir no projeto de escolas sem drogas em 2012, que é um projeto voltado para a prevenção de crianças.”E acrescenta: “Fizemos centenas de palestras em 2011, e queremos  fortalecer e ampliar ainda mais. Acreditamos na prevenção e recuperação, e, em relação ao traficante, não temos outra saída a não ser a prisão”.

 6.Sobre a contribuição do crack na escalada da criminalidade, Adriana diz que “a droga é um complemento a mais. Na verdade, –  acentua -, é uma série de elementos ao mesmo tempo”. E conclui seu raciocínio: “Acredito ser uma combinação de fatores sociais, como das drogas e da falta do aumento do efetivo da Polícia”.

 7.Sobre o alarmante aumento dos homicídios, em Goiás, Adriana acredita ser possível  reduzir esses índices. E adianta, sobre o que vai fazer para alcançar a pretendida redução: “Investiremos nesses crimes que tem ligação com os homicídios na repressão ao tráfico, e ao mesmo tempo nas soluções dos assassinatos, responsabilizando os autores. As Delegacias de Homicídio e de Investigações de Narcóticos (Denarc) já estão sendo reforçadas, não só em Goiânia, como também em todo o Estado. Vamos reforçar as Delegacias.  Estamos discutindo com a Polícia Técnica formas de agilizar os laudos de homicídios”.

 8.Sobre a eventual troca de comando, Adriana assegura que “as Delegacias que estão hoje em Goiânia vão ser reforçadas”. E acrescenta: “Neste momento, não vamos trocar ninguém”. E adianta que “existem Delegacias que não estão ligadas diretamente à de homicídio, mas que sabemos ser (em) de grande importância, por exemplo, de  crimes passionais”. A propósito, especifica: “Temos que ter uma Delegacia da Mulher (Deam) com condições de agir de forma rigorosa. Sem dúvida, a Deam e a Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) precisam ser reforçadas. Também criaremos, em breve, a primeira Delegacia contra o Crime Organizado (…). Já estamos montando  a equipe, e até o início de 2012 essa nova Delegacia  já estará  em  funcionamento”, e, com certeza, “existirá uma troca de informações, principalmente com o setor de inteligência, que vai ser o nosso principal informante”.

 9.Sobre quais serão as prioridades  da Polícia Civil, Adriana afirma que serão os crimes contra as mulheres e os crimes contra os menores que ainda não foram resolvidos.

 10.No que concerne aos crimes cometidos nas chamadas “saidinhas de banco”, Adriana promete enfrentar o grave problema com um trabalho “de  parceria .entre a Polícia Civil e a Polícia Militar. É função da Polícia  realizar um trabalho ostensivo que traga uma sensação de segurança, e a Polícia Militar vai fazer um trabalho de monitoramento como  aconteceu na semana  passada . E ilustrou com o seguinte exemplo concreto: “Um indivíduo com atitude suspeita, próximo a um banco, foi preso pela Polícia Militar e levado para a Delegacia. Lá, foi descoberto que ele era um indivíduo que participava de uma quadrilha de assalto a banco”.

Adriana discorre, com segurança, sobre o que pretende fazer para coibir e punir os furtos e roubos de carros, que se estendem pela periferia de Goiânia e a outras cidades de médio porte do Estado: bem como, sobre  outros problemas de extrema gravidade, tais como  a superlotação dos presídios, Casas de Prisão Provisória, Centros de Triagem, etc.

Estamos e estaremos torcendo para que Adriana alcance todos os seus objetivos, com o que terá, a sociedade, mais segurança e paz social.

(Advogado Criminalista, Professor Emérito da UFG, Professor Titular da PUC-Goiás, Membro Titular do IAB-Instituto dos Advogados Brasileiros-Rio/RJ, e do IHGG-Instituto Histórico e Geográfico de Goiás, Membro Efetivo da Academia Goiana de Letras, Cadeira 35 –  E-mail liciniobarbosa@uol.com.br)

Artigo publicado no Jornal Diário da Manhã, edição de 23/12/2011