Insegurança rural

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Jesseir Coelho de Alcântara
Jesseir Coelho de Alcântara

Insegurança rural

O título acima foi o editorial do jornal O Popular recentemente. Sinal de que o assunto preocupa. O editorial menciona a respeito do elevado grau de insegurança na zona rural e que os assaltos a fazendas aumentaram muito, envolvendo agora, além de dinheiro, maquinários e equipamentos agrícolas, produtos estocados nas propriedades, veículos e eletrodomésticos. E os criminosos são cruéis, agridem e matam.

Na realidade, a insegurança muda a rotina no campo e produtores goianos acumulam prejuízos e se dizem reféns da criminalidade. Muitos estão investindo em equipamentos de segurança, como monitoramento, alarmes e cães. Hoje o crime não escolhe mais localidade. A ilusão de que o crime reside somente nos grandes centros não se sustenta há muito tempo.

O furto de gado é considerado alarmante. O roubo é um problema sério, pois além de trazer prejuízos enormes, causa muita frustração nos criadores, uma vez que, mesmo que os ladrões sejam presos, raramente é possível reaver os animais. Para os agropecuaristas os prejuízos são incalculáveis, principalmente com o roubo de matrizes reprodutoras, de caprinos e ovinos. Há também a subtração de insumos agrícolas, como fertilizantes e defensivos.

A impunidade e a falta de policiamento preocupam. Inexiste o patrulhamento rural. Muitos rurícolas estão trancafiados dentro de suas casas com medo e a bandidagem correndo frouxa pelos campos. Quando um criminoso é preso, muitas vezes é beneficiado pelas leis falhas e cheias de brechas, sentenciam alguns.

Infelizmente a propriedade rural virou alvo de quadrilhas ou bandos. Muitas chacinas acontecem. As autoridades de segurança não conseguem dar vazão ao crescente número de atos ilícitos devido à distância das propriedades rurais e a falta de efetivo. O homem do campo está meio que abandonado nessa área.

O fazendeiro que almeja possuir e portar arma de fogo para se proteger ante a inércia do poder público pode ser considerado um criminoso se não tiver o porte legal e a arma registrada. Assim, o homem rural encontra-se rendido aos meliantes.

É evidente que o morador do campo necessita de tomar algumas medidas preventivas: manter sempre alguém na propriedade; não deixar materiais e gado próximos a vias de tráfego; manter cães de guarda; possuir na propriedade equipamentos de segurança; fazer uma seleção rigorosa de profissionais contratados, etc. Como diz o adágio popular, ele não pode dar sopa para o azar. Precisa fazer a sua parte também.

A insegurança na zona rural é preocupante e vem sendo tratada com certo descaso e demagogia por algumas autoridades. Nossos agropecuaristas merecem respeito e atenção imediata.

 Jesseir Coelho de Alcântara e Juiz de Direito e Professor