Ladrões caçam dízimos

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Jesseir Coelho de Alcântara, juiz de Direito e professor

A palavra “dízimo” vem do termo hebraico “maasser”. Em sua raiz há o termo “issaron” que significa “décima parte”; também o termo “eser” que significa “dez” e o termo “´asar” que significa “dar o dízimo, dar a décima parte. O dízimo é dado pelos fiéis na igreja como prova de fé e significa devolver a Deus uma parte do que Ele concedeu como graça.

Mais de 50 igrejas em Goiânia foram alvo de furtos ano passado, numa média de cinco por mês. Em grande parte das subtrações foi surrupiado dinheiro guardado nos cofres e gazofilácios nos templos. Em cerca de 36 foram levados equipamentos de som e instrumentos musicais. Por conta disso, os líderes religiosos têm investido em proteção nas igrejas contra a ação dos bandidos. Cadeados nas janelas e portas, cerca elétrica e câmeras de videomonitoramento são alguns dos reforços contra a onda de criminalidade.

Em março do corrente ano, criminosos subtraíram mais de R$ 1,5 mil de um cofre de uma Igreja Pentecostal Deus é Amor no bairro Mauazinho, em Manaus. Para conseguir o dinheiro, os bandidos usaram explosivos. Dirigente da igreja explicou que R$ 1,2 mil do dinheiro seria usado para pagar aluguel do local.

A tesoureira de uma igreja evangélica foi morta a facadas dentro da própria casa, em Itapoã, Vila Velha, na Grande Vitória. O criminoso fugiu levando R$ 10 mil em dinheiro e um notebook. Segundo a polícia, o dinheiro era fruto do dízimo da igreja e a vítima estava com o valor em casa devido à greve dos bancos. Além de ser tesoureira da igreja, a mulher também trabalhava como manicure. Além de incrédulos larapiar dinheiro de igrejas, até um pastor evangélico foi surpreendido ao tentar bispar os dízimos da Igreja Internacional da Graça de Deus em Porto Velho, Rondônia. Aí é demais!

Até bandeja de dízimos e ofertas tem sido levada por espertos em templos.

Os criminosos estão também atacando religiosos dentro dos templos nos momentos de cultos e missas, utilizando inclusive armas, além de furtarem bolsas e celulares dos presentes deixados nos bancos e cadeiras nas horas de preces e cânticos quando muitos estão em pé. Nem a crença inibe a ação de bandidos.

Esse crime de furto de dízimos está cada vez mais comum no Brasil. Na maioria das vezes trata-se de furto qualificado com destruição ou rompimento de obstáculo com pena de reclusão de dois a oito anos, e multa. A qualificadora verifica-se quando na ocasião do delito ocorre o arrombamento, a ruptura, a demolição, a destruição total ou parcial, de qualquer elemento que vise impedir a ação do ladrão (cadeados, fechaduras, cofres, muros, portões, janelas, telhados, teto, etc.,) sejam quais forem os expedientes empregados.

O ditado que diz: “ladrão que rouba ladrão tem mil anos de perdão”, numa alusão a pastores e párocos que estão desfalcando os incautos em cerimônias religiosas, não pode prevalecer nessa seara. Assim como bandidos que estão saqueando os cofres contendo dízimos merecem ser punidos, esses falsos líderes precisam igualmente de punição por abiscoitar dinheiro dos fiéis.