Mentes criminosas

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Jesseir Coelho de Alcântara

MENTES CRIMINOSAS

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), 1% da população sofre de esquizofrenia. Patologia faz com que a pessoa perca a capacidade de pensar de forma lógica e crie uma realidade paralela, que pode ser representada por imagens, vozes ou sensações. Essa doença mental possui tratamento eficaz, mas ainda lida com o preconceito e a demora no diagnóstico. Segundo especialistas, a dificuldade de concentração, o isolamento e uma tristeza sem motivos são o começo da doença. Os surtos acontecem depois dos sutis sintomas e consistem em alucinações que podem ser visuais, ou auditivas, tátil gustativas, paranoias e agressividade. A internação, algumas vezes é vista como ineficaz, mas outras vezes fundamental.

Há, porém, a questão da psicopatia que gera mentes criminosas, diferentemente da doença acima mencionada. Sociopatas, personalidades antissociais, dissociais, personalidades amorais, entre outras, são os diversos nomes usados para o mesmo problema, entretanto é importante ressaltar que não se enquadram nas doenças mentais, bem delineadas e com características bastante específicas. Segundo a psiquiatria forense, a pessoa tem conduta antissocial crônica, que começa na infância ou adolescência, como o transtorno de conduta e o diagnóstico médico é muito amplo, pois o sujeito pode ser hiperativo, depressivo, ou mesmo serial killer, que é controlado, calmo, tem prazer em matar e é organizado.

No livro Mentes Perigosas: O Psicopata mora ao lado, a autora Ana Beatriz Barbosa Silva afirma que os psicopatas possuem níveis variados de gravidade: leve, moderado e severo. “Os primeiros se dedicam a trapacear, aplicar golpes e pequenos roubos, mas provavelmente não sujarão as mãos de sangue ou matarão suas vítimas. Já os últimos, colocam verdadeiramente a mão na massa, com métodos cruéis sofisticados, e sentem um enorme prazer com seus atos brutais”.

O Estado de Goiás tem apresentado ultimamente muitos casos de “mentes criminosas”. Laudos têm apontado condutas de psicopatias e extremamente agressivas: o famoso caso de Mohammed D’ali Santos, por exemplo, que assassinou e esquartejou a jovem inglesa Cara Burke, em que era um agente hiperativo, que não teve família adequada e desenvolveu transtorno de conduta, além de ser dependente químico; outra lembrança é o caso do artesão José Vicente Mathias, vulgo Corumbá, acusado de matar mulheres estrangeiras, quando o laudo psiquiátrico mostrou que tinha uma lesão cerebral, era envolvido com drogas e tinha carência familiar; o maníaco de Luziânia, Ademar de Jesus, que era homossexual, pedófilo e depressivo; o caso da chacina de Doverlândia, em que Aparecido Souza Alves confessou os homicídios e diagnosticado como transtorno de personalidade sádico. Há muitos outros fatos aqui não reportados.

Essas pessoas normalmente possuem instintos sexuais e agressivos muito fortes e contundentes, além de serem egoístas, frias e calculistas.

Assim, com “mentes perigosas” ao nosso lado diuturnamente é extremamente perigoso para a sociedade conviver com isso.

Jesseir Coelho de Alcântara é Juiz de Direito e Professor