Moto, nova moeda do tráfico

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Jesseir Coelho de Alcântara

Moto, nova moeda do tráfico

Cinco motos são furtadas ou roubadas por dia em Goiânia, a maior parte para pagar dívidas com traficantes. O veículo é também utilizado para cometer novos crimes. Essa é uma triste realidade em nosso meio. Por terem um valor inferior ao carro, muitos acham que o veículo não será subtraído. Viciados em crack são os principais suspeitos de cometerem a ação. Além disso, é comum os próprios usuários venderem ou trocarem suas motos para sustento do vício.

Os usuários ou pequenos traficantes, quando proprietários desses veículos, os perdem devido a dívidas feitas para o consumo de drogas. Muitas vezes o próprio dono da moto retorna à Delegacia de Polícia para desfazer a ocorrência, pois este provavelmente é um usuário de droga que recuperou seu veículo após negociação com o traficante.

Há um crescimento enorme na comercialização de motosem Goiás. Hoje, o Estado tem uma frota de mais de 800 mil, entre nacionais, importadas e motonetas. Esse crescimento é preocupante em razão do alto índice de furtos e roubos.

O POPULAR, em agosto do ano passado, estampou matéria com o título Tem ladrão de olho na sua moto, escrita pela jornalista Maria José Silva. Ali foi apontado que a Delegacia Estadual de Repressão a Furtos e Roubos de Veículos Automotores mostrou que houve crescimento de 72% nos furtos e roubos de motocicletas naquele ano em relação a 2010. Até agosto, 702 pessoas tiveram suas motos tomadas por criminosos. A própria Polícia Civil credita esta nova opção desenfreada dos ladrões pelos veículos sobre duas rodas a um fato gravíssimo: a moto tem sido usada como moeda para a aquisição de drogas, especialmente o crack. Na lavratura do auto de prisão em flagrante os infratores relatam que furtaram ou tomaram as motos em assalto com o objetivo de desmontá-las, vender as peças e repassar o dinheiro aos traficantes.

As motos são subtraídas em diferentes regiões da cidade, no horário crítico das 19 às 21 horas, e os quintais de suas próprias casas são utilizados para desmanche. Quando achadas, estão completamente depenadas, recuperando-se apenas o quadro. Painéis, guidons, baterias e rodas são transplantados rotineiramente em outras motos.

Assim, extremamente aterrorizador esse quadro se mostraem Goiás. Crescea criminalidade nessa área, aumenta o número de traficantes e usuários de entorpecentes, diminui a segurança do cidadão de bem proprietário de motocicletas, aumenta o serviço policial, entope mais o sistema carcerário com prisões, etc. Enfim, moto como moeda do delito só traz consequências funestas para a sociedade em geral.

Jesseir Coelho de Alcântara é juiz de direito e professor

Artigo publicado na edição de hoje, dia 13.04, do jornal O Popular