O papel das mulheres nas instituições de segurança pública

1908
Luciano Spicacci

Falar sobre o papel das mulheres nas instituições de segurança pública não se restringe apenas a traçar um perfil profissional das mulheres integrantes das Polícias Civis, Polícias Militares, Polícias Científicas, Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Agências Prisionais, Guardas municipais e dos Corpos de Bombeiros Militares. As funções e os labores diários são mais amplos e profundos do que imaginamos e fazem a total diferença na vida dos cidadãos, pois contribuem para o bem estar coletivo e para construção de uma sociedade mais justa e igualitária.

Embora pouco visto, ou melhor, pouco reconhecido o papel das mulheres nas instituições de segurança pública vem ampliando e ganhado cada vez mais espaço. Pois, isso é fruto de muito trabalho de dedicação o que é mérito delas. Algumas dessas guerreiras já comandam instituições de prestígio ou ocupam cargos importantes nas instituições. Por exemplo, a Polícia Civil de Goiás e do Rio de janeiro são chefiadas por mulheres.

Mas nem sempre foi assim, houve um tempo em as mulheres eram motivo de piadas machistas por terem o cérebro menor que os dos homens. Contudo, o cérebro masculino necessita do complemento direto do feminino para se organizar, fato este, provado pela mesma ciência que comprou os dois tamanhos dos dois cérebros. Antigamente as mulheres tinham que tomar conta da casa, dos filhos e ainda cuidarem das obrigações domésticas. Atualmente, elas acumularam mais uma função, além das outras, a do trabalho externo. E com isso, foram conquistando seu espaço no mercado de trabalho e aos poucos mostrando seu valor e sua capacidade de execução.

A corroborar com essa vertente, as instituições de segurança púbica contam com várias delegadas, escrivãs e agentes que solucionam crimes e predem bandidos de altíssima periculosidade; bombeiras que fazem resgate de acidentados e intervém em situações de perigo, policiais rodoviárias federais que organizam o trânsito nas rodovias federais, agentes prisionais femininas que fazem escolta de presos tendo a custódia legal dos mesmos , impedindo a prática de mais crimes e promovendo a segurança coletiva e social, entre tantas outras…

Contudo, não é tarefa fácil realizar todas essas funções, pois vale ressaltar, que ante de serem agentes de segurança pública elas são seres humanos e encontram dificuldade como todos. Apesar da resistência de alguns que tentam insistir na utopia da desigualdade, elas se superam a cada dia como mulheres, mães, amigas e profissionais.

O caminho percorrido por elas é longo e a estrada árdua, e para incentivar ações congêneres deveríamos ter mais iniciativas institucionais para qualidade e valorização profissional, inclusive qualidade de vida e saúde dessas profissionais que desempenham com louvor e dedicação suas atribuições de alto risco. É preciso rever alguns conceitos antigos para melhor elaboramos os atuais. Como concatena a tal ideia, o jornalista Eduardo Bueno ao afirmar “A nações que não revê seus erros e pontos de vista antigos está fadada ao fracasso futuro”.

Assim, a visão de segurança pública que todos nós da sociedade almejamos precisa estar acima das diferenças de gêneros, e pautar-se no bem comum de todos como forma de pacto social. As mulheres já provaram ser capazes de suportar a pressão profissional e sempre lograram êxito no desempenho de suas ações, por isso, merecem mais prestígio e reconhecido institucional e social.

(Luciano T. Spicacci, servidor público e escritor. Autor do livro 3 detentos e 1 bandido. Email: luts2009@hotmail.com).

Artigo publicado no Jornal Diário da Manhã, edição de 24.01.12