O vício nas redes sociais

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Delegado Norton Luiz Ferreira

                                  O vício nas redes sociais

As redes sociais ganharam a simpatia de milhões de adeptos mundo afora. Viraram febre nas comunicações entre pessoas e grupos para compartilhar o dia a dia de cada um. Jovens e adultos abriram mão de quase tudo para dedicar horas interagindo através do Facebook, WhatsApp, Twitter, Instagram e outros. O advento da internet estabeleceu o processo da globalização do mundo, encurtou distâncias e fez uma revolução. Com essa moderna ferramenta, criou-se um universo de possibilidades muito além de contatos pessoais.

Aparelhos celulares sofisticados, os chamados smartphones e tablets, estão em todos os cantos, sempre nas mãos. Tornaram-se objetos inseparáveis na sala de aula, no trabalho, em casa, no banheiro, no momento de lazer e seja lá onde for. A modernidade proporcionada pela internet trouxe avanços, mas criou vícios na humanidade, deixando as pessoas dependentes da parafernália para compartilharem dados e se exibirem. É comum até gente famosa, que precisa aparecer e chamar a atenção, lançar mão das redes sociais para se mostrar, não raramente em poses sensuais.

A empolgação é tanta que às vezes a pessoa não se dá conta de que está se expondo demais. Outras permitiram-se ser filmadas na intimidade, e o que fizeram foi parar nas redes sociais, resultando em prejuízos morais irreparáveis. A dependência de jovens e adultos por esse mundo encantado e sedutor chega a provocar situações cômicas se não fossem tão ridículas, constrangedoras e perniciosas para a boa convivência.

Tornou-se comum grupos de pessoas e até famílias inteiras ficarem o tempo todo antenados nas redes sociais sem se olharem e trocarem uma única palavra por conta do vício causado pelos meios de comunicação à disposição. Esse comportamento de compulsão estabelece um distanciamento entre os que estão próximos e aproxima os que estão distantes.

Num ambiente ideal para um bate-papo, o que se vê são pessoas de olho nos smartphones e tablets o tempo todo, digitando mensagens e tirando fotos de si próprio ou dos amigos à sua volta para postar nas redes sociais. Um clique no aparelho é o suficiente para que o momento que poderia ser reservado à uma conversa de mesa de bar, mais descontraída, torna-se pública, desnecessária e fantasiosa na imaginação de quem posta a mensagem. Qual a graça ou a importância de anunciar pelas redes sociais dando informações do tipo “no bar do fulano, tomando uma gelada” ou a “cerveja aqui tá demais ! Vem pra cá”?

As pessoas perderam a capacidade de aproveitar os momentos para conversar olhando nos olhos e passaram a integrar o mundo da fantasia que as redes sociais criaram. Mas pelo jeito, não adianta espernear. As redes sociais mudaram os hábitos, criaram uma nova cultura social e vieram para ficar. Tudo bem, não fosse seu uso de forma exagerada e às vezes inconveniente.

                                         Norton Luiz Ferreira é Delegado de Polícia

Artigo publicado na edição de 28.10.13, do Jornal  Popular