O voto consciente

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Geralda da Cunha Teixeira Ferraz

A caça aos eleitores começou. De fato, num processo democrático, o período eleitoral deve ser comemorado, afinal, o momento nos faz reafirmar e garantir nossas convicções nos princípios e valores constitucionais. É fundamental nunca esquecermos destas conquistas, para não corrermos o risco de compactuar com ideias equivocadas, que sem contextualizar momentos políticos da nossa história, diante de episódios específicos da política atual, reportam-se com saudosismo a períodos como os ditatoriais, que nos privavam de quase todos os direitos. Até do direito à vida.

Contudo, à medida que nossa democracia avança, devemos amadurecer tanto nos conceitos, quanto nas práticas. As práticas do voto de cabresto, da troca do voto pela botina, devem ficar registradas nos livros de história. Também não devemos trocar nosso voto por favores. Desta forma, os candidatos e candidatas que lançam mão de suas experiências profissionais para legitimar suas candidaturas, precisam rever seus conceitos. São dezenas deles que usam e abusam das prerrogativas da profissão: é o Zé da Farmácia, o Zé da Ambulância, a Maria Enfermeira, o Zé do Carro de Som, a Maria Parteira etc., etc.

Há candidatos que vão além. Usam da estrutura pública, porque já gozam de mandato parlamentar, e passam a fomentar o assistencialismo ao invés de usar o seu mandato para exigir acesso à saúde para todos, como está previsto na Constituição. É a nova roupagem do voto de cabresto, porque as pessoas que dependem dos serviços públicos – e elas são a maioria – não têm como resolver urgências. É claro que vão ficar gratas pelos “favores”, e a forma de retribuição é votar nos candidatos assistencialistas. É preciso que essas práticas sejam de fato extirpadas do nosso meio.

Infelizmente perdemos muito tempo criticando o uso que se faz da política, e não nos preparamos para mudar aquilo que como eleitores podemos mudar. A ficha limpa é um importante critério, mas não é o único. Claro que tendo acesso às informações sobre os candidatos, disponíveis no portal do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), é nossa obrigação conhecer os que possivelmente vão nos representar. Mas não basta. Nas eleições municipais, quando escolhemos nossos representantes para o Executivo e a Câmara, é mais fácil conhecermos os candidatos, porque estão mais próximos de nós.

Na associação de bairros, na igreja, no trabalho, no partido político, convivemos com candidatos. É aí que a palavra coerência ganha força e forma. Ao conviver com uma pessoa, temos maior oportunidade de conhecer suas ações, seu caráter, sua honestidade, sua coerência entre o que fala e faz. Portanto, é o seu histórico que vai sustentar o seu discurso.