Reféns dentro de casa

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Jesseir Coelho de Alcântara

                   Reféns dentro de casa

A manchete do Popular do dia 01 de março último apontou o tema acima dizendo que ocorrências de assaltos a residências em Goiânia cresceram quase 40% em 2013. Diz que crimes de roubos e furtos a residências deixam goianienses apavorados e que em três anos, foram 1.269 roubos e 13.417 furtos. Moradores dizem que viraram reféns dos bandidos e reclamam da falta de policiamento em setores que eram considerados tranquilos. Essa é a violência em que vítima de crime virou rotina.

Há casas que já foram roubadas mais de uma vez e a polícia busca sempre suspeitos dos assaltos. A insegurança e o aumento da criminalidade assustam moradores de toda a capital. E não é para menos.

Manchetes desse naipe eram comuns no Rio de Janeiro e em São Paulo, como ocorreu em março deste ano em que a polícia procurava os três assaltantes que mantiveram a atriz Letícia Spiller e sua família reféns dentro de casa na zona oeste na capital carioca. Em Goiânia tal situação também passou a ser normal. Infelizmente.

Hoje a população sente medo de sair a noite para passear e ter um lazer digno, com pavor dos arrastões em bares e restaurantes, mas ficar em casa e até nos apartamentos igualmente tornou-se apavorante ante a violência desenfreada até dentro de seu abrigo sagrado que é o lar. O povo tem mudado seus hábitos. A sensação de insegurança que a sociedade sente é reflexo da expansão da violência.

Meliantes invadem casas e apartamentos armados e obrigam as pessoas a se deitar no chão, outras são trancafiadas dentro de banheiros e muitas mulheres são vítimas de abusos sexuais diante de filhos e maridos. Eles subtraem carros, aparelhos elétricos, joias, dinheiro, comida, etc. Parece que a polícia e os setores de segurança não estão funcionando.

A sociedade está trancada dentro dos lares, com temor, refém da bandidagem enquanto os criminosos andam soltos perambulando pelas ruas cometendo mais delitos. Isso é frustrante e preocupante.]

A situação está crítica e precisa haver esperança de melhorias. Os parlamentares precisam apresentar leis mais rígidas, as polícias necessitam agir com maior rigor, o povo fazer a sua parte na contribuição da segurança pessoal, o Ministério Público fiscalizar com mais presteza, o Poder Judiciário ser mais célere na prestação jurisdicional e o poder público, como Estado, entender que segurança pública é seu dever.

Todos precisam ser reféns de uma consciência limpa e do dever cumprido. O que não pode acontecer é sermos reféns dentro de nossas próprias habitações com pânico e terror.

Afinal, Deus criou o homem para a liberdade.

                                          Jesseir Coelho de Alcântara e Juiz de Direito e Professor