Roubo de cabelos

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Jesseir Coelho de Alcântara
Jesseir Coelho de Alcântara

                               Roubo de cabelos

O Código Penal define no artigo 157, caput, o roubo como subtrair coisa móvel alheia, para si ou para outrem, mediante grave ameaça ou violência a pessoa, ou depois de havê-la, por qualquer meio, reduzido à impossibilidade de resistência. O alto valor do item fez surgir uma nova especialidade de crime: roubo de cabelos.

Mulheres têm ficado assustadas com essa nova modalidade de delito e o assunto tem sido pouco abordado. Em 2013, um homem abordou uma jovem de 15 anos em São José do Rio Preto (SP) e usando uma faca ou tesoura cortou o cabelo da menor. De 1,45 metros, sobrou apenas cerca de 60 cm.

Em 2011, Cleicilane Gonçalves teve o cabelo roubado por um homem dentro de um ônibus no Terminal Novo Mundo, na nossa capital, utilizando-se de um estilete. Já em 2009, em Franca (SP) uma adolescente  de 17 anos teve os cabelos roubados ao sair de casa para ir à igreja.

É claro que essas mulheres terão um trauma para o resto da vida, tendo em vista que foram vítimas mediante grave ameaça ou violência e ficaram lesionadas. Um verdadeiro absurdo a beleza roubada. Uma onda de assaltos a salões de cabeleireiros está colocando em foco o cada vez mais lucrativo comércio de cabelos humanos.

O cabelo humano feminino é um produto valioso hoje e o comércio no país cresce constantemente pelo atrativo dos perfis das brasileiras. O valor médio desse item é de R$ 600,00. Os preços podem variar entre R$ 59,90 e R$ 2.000 cada 100 gramas. Estes preços são definidos de acordo com o comprimento, cor e, principalmente, textura.

Quanto mais brilhoso e queratinado ele for, melhor será a sua aparência e maior o preço. Eles também encarecem de acordo com os tons, do escuro para o loiro. Eles são utilizados para a criação de perucas, para feitura de apliques e “megahair”, bem como para uso das mechas para rituais vingativos de magia negra. Já tem até máfias especializadas nisso! No Ceará houve um caso estranho de subtração de cabelos de defunto.

Além de ser uma fonte de renda, o cabelo pode ser utilizado em trabalho social, como doentes portadores de câncer. Cada vez mais uma nova onda e modalidade de crime vira moda. Furto de cães, gatos e bois tem se tornado frequente em nosso meio. Até “boca de lobo” é subtraída das ruas. A criminalidade grassa em nosso quotidiano. Isso é extremamente preocupante.

A Bíblia narra no livro de Juízes que Dalila cortou os cabelos de Sansão, um juiz hebreu, no passado. Neles, Sansão tinha suas forças por ser nazireu. A partir do momento em que foram cortados perdeu seu poder de força e se esvaiu perante os filisteus, descreve. Atualmente, as mulheres vítimas que têm seus cabelos roubados perdem suas forças e se esvaem ante a onda de violência que se espalha e cresce na sociedade. Nem os cabelos têm sossego mais.

                                            Jesseir Coelho de Alcântara é Juiz de Direito e Professor