Sincera Homenagem

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Delegado Norton Luiz Ferreira

Sincera Homenagem

Terça-feira, 8 de maio de 2012. Uma data para não esquecer. No que era para ser um dia de trabalho em torno da elucidação do bárbaro crime que ficou conhecido como chacina de Doverlândia, o que presenciamos incrédulos foi o anúncio de uma grande e marcante tragédia. A notícia dando conta da queda do helicóptero da Polícia Civil de Goiás, matando todos seus ocupantes, nos pregou uma peça de enredo que parecia surreal. As informações que chegavam não deixavam dúvidas, mas insistíamos em não acreditar no que estávamos ouvindo, como em toda notícia ruim. Era verdade, para nossa maior e mais comovente tristeza. Um abismo se abria à nossa frente pela dor e a angústia.

A história da Polícia Civil, construída por lutas classistas, por elucidação de crimes que os conflitos sociais protagonizam dia a dia e aqueles perpetuados na história policial pela crueldade empreendida por seus atores bandidos, agora tem o seu capítulo mais triste. A tragédia escrita com a queda do seu helicóptero entra para os anais da instituição. Para sempre, assim como a dor que todos sentimos, extensiva e provada nas manifestações de carinho e apoio por parte da sociedade, da Polícia Militar, do Corpo de Bombeiros, do Governo do Estado, e do titular da secretaria da Segurança Pública e Justiça, João Furtado.

A bordo da aeronave estavam cinco delegados de polícia, dois peritos criminais e o assassino confesso das sete mortes ocorridas na chacina que teve como cenário a Fazenda Nossa Senhora Aparecida, em Doverlândia, a pouco mais de400 quilômetrosde Goiânia. É como se Aparecido Souza Alves, de 22 anos, que, pela crueldade empregada nas mortes de suas indefesas vítimas, parecia querer mais, deixando a impressão de ter um pacto com o mal. O certo é que, além das sete mortes que ele provocou por esgorjamento – cortando-lhes o pescoço –, levou consigo outras sete vidas.

A viagem a Doverlândia, cenário da primeira tragédia, tinha como objetivo cumprir a segunda etapa da reconstituição da chacina. Aparecido não vai mais pagar por seus crimes. Ele tinha de continuar aqui para pagar em vida pelas mortes que praticou de pessoas tão simples e que viviam num ambiente onde a religiosidade se fazia presente, manifestada nas imagens na casa da fazenda, palco da chacina, também a maior do gênero em Goiás.

Mas Aparecido Souza se foi e não deixou por menos. Quis a sua esfera do mal que nos tirasse do convívio pessoas do bem que lutavam pela garantia da justiça. O autor da chacina deixa uma dívida impagável. Os que se foram na tragédia quando buscavam a verdade para que ele, o assassino, pagasse por seus crimes, deixam um legado de trabalho e admiração. Aos eternos amigos delegados Antônio Gonçalves, Jorge Moreira, Carrasco, Bruno e Vinícius e aos peritos criminais Fabiano e Marcel a minha singela e sincera homenagem.

Norton Luiz Ferreira é delegado de polícia

Artigo publicado na edição de 13.05.12,  do Jornal O Popular