Trabalho focado na segurança

418
Joaquim Mesquita

O ano de 2012 encerrou-se e, com ele, mais uma vez uma realidade torna-se evidente: o Brasil enfrenta, há cerca de uma década, uma epidemia de homicídios dolosos que ceifa mais de 40 mil vidas por ano, segundo os mais variados estudos. Assustador por si só, o número é ainda mais preocupante quando observamos que ele aumenta ano a ano. Em Goiás, a despeito dos esforços das forças de segurança, as projeções se confirmaram, principalmente em relação ao homicídio doloso, um dos principais indicadores dos índices de violência e criminalidade de uma determinada região.

Em 2012, as polícias realizaram 389.379 abordagens e 31.746 operações, recuperaram 10.466 veículos furtados ou roubados, apreenderam 2.625 armas, recapturaram 3.367 foragidos, prenderam 13.966 pessoas em flagrante e bateram recordes de apreensão de drogas. Ainda assim, todo este trabalho não foi suficiente para conter o crime que mais perturba a sociedade: aquele que atenta contra a vida.

Cabe ressaltar que o aumento vertiginoso nos índices de violência e criminalidade não é um problema exclusivo de Goiás e se alastra por todas as unidades da Federação. Entre as outras 26 unidades federativas, desde 2010 Goiás oscila entre a 14º e 12º posições nos rankings de vitimização por homicídios, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública – 2012, o Mapa da Violência – 2012 e o IBGE.

É bom lembrar, no entanto, que esses levantamentos carecem de precisão por causa de diferenças metodológicas na coleta dos dados em cada unidade federativa. Mas todos os estudos apontam Goiás como um dos Estados em que as informações estão entre as mais confiáveis do País.

Há dois meses à frente da Secretaria de Segurança Pública do Estado de Goiás (SSPJ/GO), sei que medidas devem ser tomadas imediatamente. Porém, ações sem planejamento são fadadas ao insucesso. É preciso foco.

Estudo em fase de conclusão pela SSPJ/GO constatou que a Região Metropolitana de Goiânia e o Entorno do Distrito Federal são responsáveis por mais de 70% dos homicídios do Estado. Em Goiânia, que é composta de cerca de 690 bairros, 57% dos crimes contra a vida ocorrem em 45 bairros, destacando-se as Regiões Noroeste, Oeste e Sudoeste, pela ordem. Em outros 502 (73% do total), não houve sequer uma ocorrência do tipo.

Constatou-se também que 60% dos homicídios ocorrem em locais de acesso público (ruas, praças etc); 88% das vítimas são homens; em 77% há o emprego de arma de fogo; 74% ocorrem entre as 18 horas e 6 horas e em 68% deles havia algum tipo de envolvimento com as drogas.

Com esse perfil traçado já é possível realizar ações focadas que significarão a redução dos homicídios. No entanto, para que a redução permaneça, são necessárias políticas públicas permanentes nas regiões mais afetadas. Não apenas na área da segurança pública, mas é imprescindível que ações na saúde, esporte, lazer e trabalho também estejam no pacote. Fundamental que isso ocorra com a perfeita integração da União, Estados e municípios.

Apesar dos número de 2012, iniciamos 2013 com otimismo. O governo do Estado fará grandes investimentos na segurança pública. As Polícias Civil e Militar terão o reforço de 753 e 1.180 homens, respectivamente, por meio de concurso público. O Serviço do Militar Voluntário será implementado. Os agentes de segurança terão benefício por produtividade e haverá ingresso expressivo de recursos para investimento em infraestrutura.

Reconhecemos os problemas, mas, repetindo, com foco, inteligência e integração com outros entes federados atingiremos nossos objetivos.

Joaquim Mesquita é secretário da Segurança Pública e Justiça de Goiás

Publicado na coluna Opinião do jornal “O Popular”, do dia 10/01/2013