Campanha Polícia Civil Contra a Covid-19: feita segunda doação de plasma, agora para o Hemocentro

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Imagens: Portal Click do Povo

A Polícia Civil de Goiás, por meio da Divisão de Proteção à Saúde do Servidor (DPSS), em continuidade à Campanha Polícia Civil Contra a Covid-19, realizou, na tarde desta sexta-feira (28), às 14h, o ato de doação de plasma convalescente de paciente curado de infecção pelo novo coronavírus ao Hemocentro de Goiás. Ao todo, 15 policiais civis que contraíram a doença se voluntariaram para a doação do plasma que será utilizado nas pesquisas do Hemocentro. Conforme critérios do projeto de pesquisa, apenas um policial se adequou e foi selecionado. A doação será feita pelo agente de polícia Carlos Roberto da Silva Pereira ao banco de sangue.

O Hemocentro de Goiás, sob orientação da Secretaria de Estado da Saúde, iniciou a coleta de plasma convalescente para um projeto de pesquisa sobre a COVID-19, aprovado pela Comissão Nacional de Ética e Pesquisa (Conep). É o primeiro estudo do gênero realizado em instituições do Sistema Único de Saúde (SUS) no Estado de Goiás. Aproximadamente cem pessoas curadas de Covid-19 terão seu plasma coletado para avaliar o desenvolvimento de anticorpos contra o vírus. Um outro estudo prevê a aplicação deste plasma no tratamento de pacientes da doença em estado grave.

Capitaneado pela hematologista do Hemocentro Coordenador, Maria do Rosário Ferraz Roberti, pela diretora médica da Hemorrede Pública de Goiás, Alexandra Vilela Gonçalves, e pelo pneumologista Marcelo Rabahi, coordenador de Ensino e Pesquisa do Instituto de Desenvolvimento Tecnológico e Humano (Idtech), organização social responsável pela administração do Hemocentro, o projeto conta com a participação de 12 profissionais da saúde das mais diversas áreas de atuação.

A pesquisa foi elaborada tendo como base estudos que demonstraram benefício desta forma de tratamento em infecções virais graves, sejam na pandemia de H1N1 e na atual pandemia de Covid-19. Os estudos levantam a hipótese de que a administração de plasma convalescente contendo anticorpo neutralizante contra o vírus possa trazer uma recuperação mais rápida no estado clínico dos pacientes. No entanto, ainda é uma modalidade de tratamento que requer comprovação científica de sua real eficácia.

Segundo Rabahi, o estudo tem como uma de suas características principais o fato dele ter sido elaborado regionalmente. “É uma pesquisa em que o centro coordenador, o projeto, o conceito e o desenho foram todos desenvolvidos dentro do Hemocentro de Goiás e, com isso, nós podemos fazer uma avaliação com a nossa realidade. Isso não é parte de um estudo que está sendo coordenado por outros locais.”

O outro projeto prevê que o material seja oferecido para pacientes internados, com formas graves, no Hospital de Campanha para Enfrentamento do Coronavírus (Hcamp), Hospital e Maternidade Municipal Célia Câmara (HMMCC), Hospital Estadual de Urgências Governador Otávio Lage de Siqueira (HUGOL) e no Hospital Estadual Geral de Goiânia Dr. Alberto Rassi (HGG), e que atendam a todos os demais critérios estabelecidos pelo estudo.

Outro ponto citado pelo pneumologista é o respaldo das pesquisas na comunidade científica, já que os estudos de análise do plasma são avaliados pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep) tanto para aprovação quanto para os resultados finais. “Tem um respaldo em relação ao desenho do estudo, aos critérios de elegibilidade do paciente, à frequência e tempo de administração do plasma, à definição dos parâmetros que nós vamos avaliar na resposta do tratamento, ao que eu tenho que esperar que o uso do plasma vai melhorar (a situação do paciente), aos eventos adversos.”

Esse acompanhamento, pontua Rabahi, garante uma melhor aplicabilidade do processo. “Tudo isso é muito importante que seja analisado para que a comunidade médica não possa incorrer em erros ou em equívocos na utilização de qualquer tecnologia nova frente a essa pandemia. É certo que há uma busca, frenética até, por novas oportunidades de tratamento, mas nós não podemos perder de vista que uma das principais recomendações continua sendo, primeiro, não causar mal ao paciente.”