Operação Voo Cego: Polícia Civil desarticula complexo esquema de tráfico de drogas via aeronáutica e apreende 11 aviões; PCGO encontra cemitério clandestino de desmanche de aeronaves em Anápolis

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A Polícia Civil, através da Delegacia Estadual de Investigações Criminais (DEIC), por meio de seu Grupo Antissequestro (GAS), deflagrou, no dia 13 de janeiro de 2021, a Operação Voo Cego. As investigações tiveram início com o desaparecimento do piloto Ivo Benassi Billegas, 39 anos. O piloto decolou do aeroporto de Anápolis, no dia 21 de fevereiro de 2018, e não foi mais localizado.

Com o avançar das investigações, os policiais civis do GAS/DEIC descobriram que o piloto desaparecido realizava voos para o tráfico de drogas e que mais outros dois pilotos de Anápolis também encontravam-se desaparecidos. A PCGO verificou que os pilotos desaparecidos eram ligados a um grupo criminoso baseado em Anápolis e que utilizava o aeroporto da cidade como base.

A organização criminosa cooptava pilotos de aeronaves para realizarem voos com o propósito de buscar drogas em países vizinhos, principalmente na Bolívia, bem como realizava a preparação de aeronaves para o tráfico. Dessa forma, as aeronaves eram modificadas para aumentar a autonomia de voo e a capacidade de carga. Os aviões eram reabastecidos durante o voo através de galões de combustível, faziam voos extremamente baixos para fugir do controle do espaço aéreo e com equipamentos de localização, como transponder, desligados. Os voos, portanto, eram extremamente arriscados.

A investigação apontou que um dos presos na operação levou Ivo Benassi Billegas, piloto inexperiente, até São Félix do Xingu, no Pará, de onde teria decolado para a Bolívia e não mais retornado. Dois membros da organização criminosa foram alvo de mandados de prisão temporária, sendo apreendidos com um deles uma pistola calibre 380 e um revólver calibre 38 sem registro.

Além disso, os policiais civis cumpriram mandados de busca e apreensão em hangares do aeroporto de Anápolis, que resultaram na apreensão de 07 aeronaves suspeitas de serem utilizadas pelo grupo nos voos clandestinos. São elas:

– 01 Piper Sêneca
– 02 Embraer Sêneca
– 01 Piper PA18
– 01 Embraer Minuano
– 01 Paulistar Experimental
– 01 El Commando Agrícola

As investigações também apontaram a existência, em um bairro residencial da cidade de Anápolis, de um galpão utilizado pela quadrilha onde foram apreendidas mais 04 aeronaves sendo reformadas e preparadas, bem como farta quantidade de peças e partes de aviões. As aeronaves encontradas no galpão não possuíam qualquer tipo de identificação, sendo que foram retirados delas todas as plaquetas e sinais de identificação. Em regra, tratam-se de aeronaves furtadas ou importadas ilegalmente que, depois de reformadas e remontadas, são nelas inseridos os prefixos de outra do mesmo modelo (uma espécie de clonagem) e, a partir daí, utilizadas para atividades ilícitas, como tráfico de drogas e uso em garimpos ilegais.

Os investigados no inquérito policial devem ser indiciados pelos crimes de organização criminosa, tráfico de drogas e associação para o tráfico. De acordo com as investigações, os três pilotos desaparecidos foram vítimas de acidente aéreo, provavelmente ocorridos fora do Brasil.

A Operação Voo Cego contou com 47 policiais civis e mobilizou 15 viaturas. A operação foi acompanhada pela Agência Nacional de Avião Civil (ANAC). Um hangar e o galpão clandestino foram interditados.