ESPC recebe personagens históricos da Segurança Pública em Goiás em Café com Histórias e Estórias da Polícia Civil

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O Café com Histórias e Estórias da Polícia Civil foi promovido na manhã desta terça-feira (27) na Escola Superior de Polícia Civil. No evento, prestigiado pelo diretor da instituição, delegado Marcelo Aires Medeiros, compareceram o secretário de Estado de Segurança Pública, Irapuan Costa Júnior, e seu ex-colega de pasta e ex-diretor da então Academia da Polícia Civil de Goiás, delegado Rivadávia Nunes.

Ao longo do encontro, os dois gestores, os quais já figuram como verdadeiros personagens da história moderna de Goiás, compartilharam diversos episódios de suas vidas. Vários episódios do processo de profissionalização da atividade policial em Goiás foram abordados.

Filho do Chefe de Polícia Irapuan Sardinha Costa, o secretário Irapuan Costa Júnior relatou a influência de seu pai sobre sua formação política e profissional, além de enaltecer a trajetória de Rivadávia Nunes. “Até me emociono, porque o meu pai trabalhou muito com ele. Como filho de policial, eu vibrava com a profissão”, comenta o ex-governador.

Irapuan salienta o espírito com que assumiu o governo de Goiás, em meados da década de 1970. “Cheguei com espírito de policial, consciente da distância entre o que desejava e precisava fazer e os recursos e o que eu realmente podia fazer”, rememora. Ele também se lembrou de uma correção que necessitava ser feita quanto à carreira policial. “Uma das coisas que me preocuparam era a desigualdade que havia entre as carreiras policiais e outras carreiras de Estado”, salienta. Irapuan citou projeto de lei encaminhado por ele à Assembleia Legislativa, no qual equiparavam-se as carreiras de delegado de polícia à de promotor de justiça e juiz de direito.

O secretário destacou que a gestão de Rivadávia nunes à frente da pasta por ele ocupada atualmente foi um marco para a história do setor em Goiás. “Antes do doutor Rivadávia, a Secretaria de Segurança era a secretaria do improviso. Com ele, o serviço policial passou a ser um serviço científico, de estudo. Por isso, devemos todas as homenagens a ele”, frisa.

Foi na gestão de Rivadávia Nunes que Irapuan Sardinha Costa ocupou o posto de chefe de polícia, na extinta Secretaria de Trânsito. “Ele chefiou com grande honestidade e competência o trânsito em Goiás”, afirma Rivadávia, que foi um dos principais gestores no Governo Mauro Borges. “O Mauro (Borges) havia me convidado para ser secretário de educação. Mas, dentro do nosso grupo político, foi percebida a necessidade de criação de um programa específico para a Segurança Pública em Goiás, e fiquei à frente dessa incumbência”, relata.

Como realizações de sua gestão, Rivadávia cita um verdadeiro processo de racionalização nos quadros das polícias goianas, com destaque para a criação do cargo de delegado privativo para bacharéis em direito e com provimento mediante concurso público. “Houve uma reação muito negativa por parte da Assembleia Legislativa à época, porque essas medidas retiravam dos chefes de polícia do interior o poder de indicar os delegados das cidades”, recordou.

Rivadávia lembra também que, durante o Governo Mauro Borges, foram realizados três concursos públicos para prover a ocupação de vagas de delegado de polícia no interior do estado. Nesse período (primeira metade da década de 1960), foram criadas as delegacias regionais. “Dotamos todas de rádios, por meio dos quais os delegados regionais podiam se comunicar diretamente com o secretário de Segurança Pública”, relata.

De acordo com o agente de polícia e historiador Bruno Garajal, Rivadávia Nunes foi o último secretário de Segurança Pública a despachar do antigo prédio de Chefatura de Polícia de Goiás, instituição que funcionava no primeiro prédio destinado à PCGO em Goiânia. “Fico ainda mais orgulhoso em saber que aqui (atual sede da Escola Superior de Polícia Civil), integrando a formação da nossa polícia, existe essa preocupação, esse desejo de reafirmar a nossa história”, comenta Rivadávia Nunes.