Em dez meses, 170 mulheres foram mortas e confeccionados mais de 11 mil procedimentos

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Em 2012, até outubro, mais de 11 mil procedimentos – entre boletins de ocorrência, termos circunstanciados de ocorrências, autos de prisões em flagrantes e inquérito policial – foram realizados em delegacias e núcleos especializados no atendimento às mulheres em Goiás. Isso sem contar muitos casos que não foram registrados nos dois períodos em que a Polícia Civil ficou de greve. De acordo com a Polícia Civil, 170 mulheres morreram vítimas da violência no Estado. Para tentar mudar esse cenário, a delegada-geral da Polícia Civil, Adriana Accorsi, lançou ontem um folheto informativo com orientações às mulheres vítimas de violência. Amanhã é comemorado o Dia Internacional da Não Violência Contra a Mulher.

Delegada Geral Adriana Accorsi fala no lançamento de folder, ladeada pelo secretário da SSPJ, Joaquim Mesquita, e pela secretária da Semira, Gláucia Teodoro

A intenção do folheto e também de um link criado no site da Polícia Civil é divulgar os endereços e telefones das delegacias especializadas no atendimento às mulheres no Estado. “Goiás ainda tem um número muito grande de mulheres vítimas de violência física e psicológica. Queremos ajudá-las e aplicar a Lei Maria da Penha com rigor”, afirma Adriana. A delegada-geral explica que o folheto deve chegar a toda a comunidade por meio dos policiais, já que o material deve ser distribuído a todas as delegacias.

Para a presidente do Centro de Valorização da Mulher Consuelo Nasser (Cevam), Dolly Soares, a iniciativa merece comemoração. “Muita gente pensa que é só um folheto. Mas não é só um folheto. Esse tipo de coisa faz toda a diferença. Com certeza vamos conseguir mudar esse cenário tão violento no Estado,” diz, animada. No entanto, ela cobra mudanças da delegada-geral, já que, com a divulgação, mais demanda vai aparecer nas delegacias da mMulher. “Precisamos ter equipes multidisciplinares ajudando as delegadas. Hoje, a gente sabe que não tem”, ressalta. A presidente do Cevam também destaca que o atual cenário de violência contra a mulher no Estado é inadmissível. “Se morrer uma mulher, temos de espernear, protestar e dizer que morreu. Porque isso não pode continuar acontecendo”, diz.

Novas delegacias

Ainda ontem, a delegada Adriana Accorsi entregou um projeto ao novo secretário de Segurança Pública, Joaquim Mesquita, pedindo a legalização das delegacias da Mulher no interior do Estado e a criação de outras para que todas as regiões sejam atendidas. O documento também pede a criação de juizados especiais. Adriana explica a necessidade dessa medida. “No interior não existe um juiz específico. Isso faz com que os projetos acabem demorando muito. Enquanto isso, as mulheres continuam vítimas da situação de violência e muitas acabam mortas. A Polícia Civil tem se empenhado muito nessa causa, mas existem vários aspectos, e a gente não faz sozinha”.

Joaquim Mesquita afirma que vai dar prioridade ao projeto e que já está tomando as providências para que ele seja apreciado pela Assembleia Legislativa. “Vamos ampliar as possibilidades para que esses casos que tanto repudiamos cheguem ao conhecimento das autoridades e para que as providências sejam tomadas”, garante.

25 vítimas

Vinte e cinco vítimas já reconheceram o ex-policial militar Clemilton Martins de Carvalho, de 39 anos, preso na segunda-feira acusado de estuprar mulheres em regiões nobres de Goiânia. A Polícia Civil o encontrou na rua após um ano e meio de investigações. Inicialmente, ele era acusado de estuprar 12 mulheres, mas, desde então, outras vítimas procuraram a delegacia e o reconheceram. Ele surpreendia as mulheres quando elas entravam em seus carros em bairros como Marista, Cidade Jardim, Universitário e Jardim Planalto. Após os atos, ele voltava para o mesmo lugar onde havia abordado as mulheres e ia embora a pé.

Fonte: Jornal O Hoje