Polícia Civil: Acusados pela morte da publicitária Polyanna Arruda serão apresentados hoje

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Polyanna Arruda: assassinos serão apresentados hoje

Depois de dois anos e três meses de investigação, a Polícia Civil anunciou ontem(20.12) como concluso o inquérito policial que apura o latrocínio da empresária e publicitária Polyanna Arruda Borges Leopoldino. Ela foi assassinada a tiros aos 26 anos de idade, no dia 23 de setembro de 2009, depois de ter o carro, o Prisma placas NKC-5623, de Goiânia, roubado.

Ontem 20.12), ao saber da conclusão do inquérito e da prisão de quatro dos seis envolvidos no crime, a família da publicitária veio de Anápolis encontrar-se com a delegada-geral da Polícia Civil Adriana Accorsi. Tânia Borges, mãe da publicitária, disse que a segunda fase de sua luta começa agora, com o envio do inquérito para a Justiça. “Vamos lutar pela condenação máxima dos acusados”, disse.

Ele foi enfática ao dizer que acompanhou toda a investigação, iniciada na Delegacia Estadual de Investigações Criminais (Deic), passada para a Delegacia Estadual de Repressão a Furtos e Roubos de Veículos Automotores (DERFRVA) e depois transferida para uma força-tarefa da Delegacia de Repressão a Narcóticos (Denarc) e da Delegacia de Homicídios. “Dos seis suspeitos, dois já foram mortos e caso a investigação demorasse ainda mais, provavelmente mais gente morreria”, comentou. Tânia Borges espera, agora, agilidade do Ministério Público e do Judiciário na punição aos suspeitos.

O POPULAR adiantou, em fevereiro do ano passado, que Polyanna foi morta depois de ter o carro roubado pela quadrilha formada por Deberson Ferreira Leandro, de 27 anos; Lavonierri da Silva Neiva, de 24; Assad Haidar de Castro, Marcelo Barros Carvalho, Diango Gomes Ferreira e Leandro Garcez Cascalho. Deberson e Lavonierri já foram mortos, assim como o parceiro de Deberson, Luciano de Assis Santos, de 21.

Encomenda
De acordo com a investigação da Polícia Civil, Leandro Garcez Cascalho havia comprado um Prisma preto batido em um leilão e encomendou para Diango três Prismas para que ele fizesse a clonagem com o carro comprado.

Diango teria chamado Lavonierre, Assad, Marcelo e Deberson para roubar os carros na capital. Os quatro teriam usado cocaína a noite toda até a manhã do dia 23 de setembro, quando foram até o estacionamento da Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO), no Jardim Goiás e renderam a publicitária.

Polyanna havia saído de casa, na Rua T-30, no Setor Bueno para ir até a PUC-GO proferir uma palestra sobre publicidade. A publicitária foi levada para as margens do Córrego Caveirinha, no Residencial Humaitá, Região Norte da capital, onde foi violentada sexualmente e morta com sete tiros.

Com o desfecho trágico do assalto, o grupo resolveu desfazer-se do Prisma de Polyanna, o que foi feito na Rua Xavante, no Residencial Caraíbas. Dois homens atearam fogo no carro e fugiram em um Renault Clio azul, depois encontrado com Luciano Assis, também morto pela quadrilha de roubo de carros no dia 23 de novembro de 2009. Foi neste carro que Luciano foi comprar gasolina para atear fogo no carro da publicitária.

No carro de Polyanna, parcialmente queimado, abandonado por volta das 10 horas do dia 23 de setembro, a polícia encontrou a bolsa, celular e um notebook. Inicialmente, acreditou-se que Polyanna havia sido sequestrada. No dia seguinte, o corpo dela foi encontrado nu no matagal às margens do córrego.

Na noite de 23 de fevereiro, Assad e Lavonierre ainda teria roubado outro Prisma na capital. No dia 24, Marcelo foi preso depois de roubar um Gol e confessou sua participação no latrocínio da publicitária, informando quem eram os outros latrocidas.

Mortes
Luciano Assis foi morto no dia 23 de novembro daquele ano, por dois homens em uma motocicleta no Conjunto Vera Cruz. Nos últimos dias de vida ele foi ameaçado, segundo a família, porque guardava em casa o Clio usado na morte da publicitária Polyanna Arruda. Ele teria saído com o carro para o enterro do avô, o que teria desagradado os autores do crime.

O carro foi tomado dele e apreendido em dezembro com Edson Pereira de Paula, que foi autuado em flagrante por receptação. No dia 23 de dezembro, Edson foi beneficiado com liberdade provisória e não foi mais visto. Lavonierri foi morto em uma suposta troca de tiros com policiais militares, na noite do dia 2 de dezembro de 2009. Lavonierri dirigia um Prisma, roubado horas antes no Jardim Atlântico. A polícia acredita que ele estava no carro com Deberson, que o teria entregado aos policiais militares.

O último a morrer foi Deberson, com três tiros na cabeça. O crime ocorreu no dia 17 de fevereiro do ano passado, em um telefone público na esquina da Rua Barão de Mauá com a Couto Magalhães, na Cidade Jardim, na Região Sudoeste de Goiânia.

Para a delegada Adriana Ribeiro de Barros, na época adjunta da Delegacia de Investigações de Homicídios (DIH), a vítima caiu em uma emboscada. Deberson era informante das Polícias Civil e Militar, tendo livre trânsito nos batalhões da PM e em delegacias especializadas.

Suspeitos serão apresentados hoje

A delegada-geral da Polícia Civil Adriana Accorsi deixou para hoje a divulgação dos detalhes da operação que teve como objetivo prender os quatro homens suspeitos de matar a publicitária Polyanna Arruda em 2009. “Em respeito ao trabalho dos delegados Kleyton de Oliveira Alencar, da Delegacia de Homicídios, e Odair José, da Delegacia de Repressão a Narcóticos, eles é que devem falar sobre isso”, disse.

Ontem, Adriana Accorsi recebeu a empresária Tânia Borges, mãe de Polyanna, a quem comunicou o final dos trabalhos da Polícia Civil no caso. “Fico satisfeita como mulher, como mãe e como delegada pelo esclarecimento do caso. Mais ainda, como delegada-geral, como nossa primeira grande ação frente à Polícia Civil”, disse.

Os delegados Kleyton Alencar e Odair José foram a Ponta Porã (MS), onde foi cumprido mandado de prisão contra Assad Haidar de Castro. Os outros três suspeitos foram presos em Goiânia ontem.

Adriana Accorsi descartou que policiais estivessem envolvidos com a morte de Deberson Ferreira Leandro e de Lavonierre da Silva Neiva, integrantes do bando suspeito de matar a publicitária.

“Ambos eram envolvidos com o mundo do crime e ao que tudo indica foram mortos também por causa desse vínculo. Não encontramos vestígios de envolvimento de policiais na morte deles”.

Fonte: Jornal O Popular
Texto: Jornalista Rosana Melo