Adriana Accorsi fala em entrevista ao DM das realizações de 2012 e de novos projetos

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Adriana Accorsi fala dos seus planos para a Polícia Civil

“Goiás terá uma nova Polícia Civil”

 

Delegada-Geral diz que a
instituição passará por

reformulações profundas, nova
polícia será mais inteligente

e científica e não se valerá do
uso da força

 

A delegada-geral da Polícia Civil de Goiás, Adriana Accorsi, fez um balanço das atividades da instituição em 2012 e anunciou os projetos para o próximo ano. “A população pode esperar mudanças qualitativas em nossa instituição policial como uma mudança de paradigmas, deixando de ser uma polícia que usa força, para se valer de ciência e inteligência na solução de problemas e produção de provas.” Sob sua gestão, a polícia mudou o norte em investigações, privilegiando soluções de crimes contra a vida em detrimento de crimes contra o patrimônio.

À frente da Polícia Civil desde novembro de 2011, ela tem buscado realizar um trabalho “sistemático, com observação, disciplina e uma escuta apurada, verificando as demandas da sociedade e dos colegas policiais”, como ela define.

Em entrevista ao DM, ela lembra os momentos difíceis que enfrentou em 2012, como a Operação Monte Carlo, em que diversos integrantes da Polícia Civil estiveram envolvidos, inclusive, com afastamento das funções e o cataclismo que se abateu sobre a força, quando o helicóptero pilotado por um delegado caiu, matando integrantes da polícia e um acusado de crime. Isto sem falar das greves de agentes, escrivães, peritos criminais e delegados.

Para 2013, os projetos indicam uma Central Única de Flagrantes em Goiânia com cinco equipes de plantão todos os dias para dar uma resposta imediata a todos os problemas que a população levar. A elaboração de um plano de cargos e salários deverá apaziguar os servidores e neutralizar a ânsia por confrontos dos sindicatos, “apesar do aumento da contribuição previdenciária”.

Adriana Accorsi e sua equipe estabeleceram como meta prioritária para 2013 consolidar o projeto de “humanização da Polícia Civil”, aproximando a instituição da sociedade, aumentando a eficiência das atividades policiais. O concurso público para provimento de cargos gerais de agentes, escrivães e delegados deverá trazer novo alento ao esforço que todos fazem para dar conta do volume de trabalho e auxiliar nessa nova feição que pretendem para a Polícia Civil.

Diário da Manhã – Qual é o balanço que vocês fazem desse ano de 2012?

Adriana Accorsi – Nesse ano, passamos por situações extremamente difíceis, como a perda dos policiais que, durante uma viagem na busca de elucidar um crime bárbaro, tiveram suas vidas ceifadas em conseqüência do acidente com o helicóptero da Policia Civil, e ainda três greves, uma dos delegados e duas dos agentes e escrivães, situações que requisitaram dela e de sua equipe um trabalho árduo, incessante, procurando ser fortes e solidários diante da tristeza que abateu a todos e, por outro lado, continuar trabalhando para não penalizar ainda mais a sociedade. A Polícia Civil em 2012, em que pese os momentos de dificuldades, apresentou um saldo positivo em relação ao trabalho realizado. Ressalte-se as apreensões e queima de entorpecentes – consideradas, na totalidade, a maior dos últimos 20 anos. Para 2013, estamos projetando uma série de mudanças substanciais que darão uma nova feição à Polícia Civil de Goiás.

DM – Quais serão essas mudanças?

Adriana Accorsi – A Polícia Civil já demonstra isto com o incremento a trabalhos de solução de crimes contra a vida, quando o que se privilegiava em tempos passados era uma maior proteção ao patrimônio. Uma delegacia extremamente importante para isto é a de Homicídios, que terá atenção redobrada e apoio irrestrito. Essa é uma grande mudança que promovemos e queremos que outras autoridades engrossem essa fileira, promovendo uma maior humanização da Polícia Civil. A vida é prioridade até mesmo para acabar com essa sensação de impunidade. Vou dar um exemplo: se um veículo é roubado, a prioridade é a vítima e não o bem material.

DM – Como é possível ver resultados disso?

Adriana Accorsi – Um bom exemplo é a operação chamada “Crime e Castigo”, em que policiais de outras especializadas ou distritos foram escalados para investigar e solucionar homicídios cujos inquéritos estavam emperrados há muito tempo. As soluções estão surgindo, criminosos presos e crimes solucionados. Em 2013, vamos investir muito nisso. Será reativado o Disque-Homicídios, cujo telefone 0800-627070 é gratuito e mantido o anonimato para que a população auxilie a polícia na elucidação de crimes.

DM – A Polícia Civil de Goiás mudará de feição?

Adriana Accorsi – É um dos nossos objetivos. Uma humanização de nossa polícia. Queremos que a população sinta que pode confiar no trabalho da polícia, pode denunciar e ver resultado desse trabalho. Um gargalo que temos hoje, principalmente em Goiânia, é a demora em iniciar um trabalho de solução de crimes, até mesmo com o registro da ocorrência. Vamos criar a Central Única de Flagrantes, com cinco equipes de delegados, agentes e escrivães a ser instalada próximo do Instituto de Criminalística. O objetivo será receber a notícia, lavrar o flagrante, se for o caso, e de pronto fazer um levantamento prévio do ocorrido e iniciar a investigação, não deixando para depois, e dando um pronto atendimento à população. Isto será possível com o novo concurso que acontecerá em 2013 e até o final do ano os novos policiais já estarão atuando. Na grade de formação dos policiais, novos e antigos que também serão reciclados, vamos incluir conceitos como direitos humanos, investigação científica e tecnologia a serviço de solução de crimes, para que os policiais sejam preparados para atuar em alto nível na solução de crimes. A nova Academia da Polícia Civil será um centro de produção de saber voltado para a instituição policial como instrumento de cidadania.

DM – Há mais novidades?

Adriana Accorsi – Uma importantíssima será a criação da Delegacia de Combate ao Crime Organizado que contará até com um laboratório de lavagem de dinheiro que estamos conseguindo com o Ministério da Justiça. Será um novo tempo no combate a quadrilhas organizadas e crimes contra o patrimônio público, com uma atuação altamente especializada e científica na solução de crimes. Vamos instituir o Inquérito Policial Virtual para agilizar a tramitação dos procedimentos e sua remessa para o Judiciário. Então, a população poderá ver uma Polícia Civil renovada, humanizada e voltada integralmente para sua proteção.

Fonte: Diário da Manhã
Texto: Hélmiton Prateado