Ajudante é preso por exigir R$ 1 mi para devolver documentos furtados de advogado

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Policiais Civis conduzem o preso para a cela da DEIC
Policiais Civis conduzem o preso para a cela da DEIC

O ajudante de carga e descarga Kennedy Barbosa Oliveira, de 22 anos, foi preso em flagrante pela Polícia Civil, na quinta-feira, em Senador Canedo, na região metropolitana de Goiânia, por extorquir o advogado Djalma Rezende, especialista em Direito Agrário, em R$ 1 milhão.

Kennedy, que namorava a irmã de um funcionário de confiança do advogado, furtou 36 caixas de documentos (processos e fotos de família) que estavam guardados em um depósito em Senador Canedo e ameaçou tornar público o teor dos documentos, caso o advogado não pagasse R$ 1 milhão a ele.

O delegado Maurício Massanobu Kai, chefe do Grupo de Repressão a Roubo a Residências (GRRR) da Delegacia Estadual de Investigações Criminais (Deic), explicou que pelo volume de processos antigos no escritório do advogado, um dos mais influentes da capital, parte do arquivo foi transferido para o depósito do bar que o funcionário abriu para a irmã em Senador Canedo.

A jovem, que não tem participação no caso, já trabalhou com o advogado e sempre falava dele com admiração ao namorado, que teria visto aí uma “oportunidade” de ganho financeiro. Ele furtou os documentos e comprou um chip de celular, passando mensagens de texto para o funcionário do advogado, mas errou ao chamar o funcionário, que tem nome composto, pelo nome que apenas familiares estão acostumados.

Com orientação da Deic, o advogado foi mantendo conversas via mensagem de texto com o criminoso até que ele fosse flagrado, na quarta-feira, enquanto cobrava o pagamento, que já havia caído para R$ 200 mil. “Ele digitava nova mensagem quando foi preso”, contou o delegado.

Kennedy foi autuado em flagrante por extorsão, crime que pode lhe render de 4 a 10 anos de reclusão. Documentos e o celular foram apreendidos pela Polícia Civil.

Djalma Rezende ficou conhecido nacionalmente há seis meses ao ser exposto em rede nacional de televisão como uma das pessoas mais ricas do País. Durante meia hora de programa, levado ao ar em julho do ano passado, o advogado mostra a casa de luxo em Goiânia, com obras de arte, objetos de luxo, coleções de carro, de relógios e até aviões.

Segundo Maurício Massanobu Kai, a exposição pode ter contribuído para que ele fosse vítima da extorsão. “Sempre bom manter a vida mais discreta para evitar a cobiça dos outros”, afirmou o delegado.

 

Fonte: O Popular
Texto: Rosana Melo
foto: Mantovani  Fernandes (O Popular)