Chacina de Doverlândia: Polícia Civil realiza reconstituição do crime que vitimou sete pessoas

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Todas as dúvidas ou, pelo menos, grande parte das que ainda rondam o caso da chacina ocorrida em Doverlândia no sábado (28) – em que sete pessoas foram assassinadas – poderá ser esclarecida hoje (dia 03.05), dia em que será feita a reconstituição das cenas do crime na propriedade rural. Detido desde segunda-feira (30), o principal suspeito, Aparecido Souza Alves, de 22 anos, irá, finalmente, mostrar à Polícia Civil como executou as sete pessoas na Fazenda Nossa Senhora Aparecida.

Policiais Civis do GT3 conduzem Aparecido Souza Alves para a DIH

O momento é crucial para o desenrolar das investigações, já que, de acordo com a delegada-geral da Polícia Civil, Adriana Accorsi, as informações dadas por ele, até agora, são desencontradas e pouco confiáveis. Ela explica que as provas dadas por ele, de como cada ação se desenrolou, serão confrontadas com os dados gerados pela perícia, “realizada minuciosamente”, e aí então poderá se confirmar se o que Aparecido diz corresponde ou não ao que realmente aconteceu.

“A cada momento ele muda suas declarações, muda detalhes, na tentativa de nos confundir. Só o que ele não muda é a responsabilidade pela autoria das mortes. Ele continua assegurando que foi ele”, declarou a delegada-geral, logo após pousar de helicóptero na Delegacia de Investigação de Homicídios (DIH), em Goiânia, no início da noite de ontem, trazendo Aparecido para fazer apresentação.

Outra pessoa, detida em um assentamento nos arredores da propriedade de Lázaro Oliveira Costa, 57, estava sendo encaminhada à capital, com pedido de prisão temporária decretado. Outras duas também estavam sendo transportadas para Goiânia para serem ouvidas pela polícia. Estas são recrutas do Exército em Jataí, sendo que uma delas, Daniel Alves, é irmão de Aparecido. Dois indivíduos já haviam sido presos em Frutal (MG), no velório das vítimas. Um é sobrinho e o outro seria o futuro sogro de Leopoldo Rocha Costa, de 22, filho de Lázaro. As identidade não foram revelas, pois de acordo com Adriana Accorsi, o envolvimento deles ainda não foi comprovado.

Investigação

A delegada-geral informa que foram realizadas inúmeras diligências ontem. “Encontramos a bolsa de Miraci (Alves de Oliveira, de 65) no matagal, mas ainda não chegamos à faca que Aparecido diz ter usado. Ele nos levou ao local onde informou ter jogado a arma, mas já estava escurecendo quando chegamos lá, e ainda não chegamos até ela.” Além de ter confessado ter matado as sete pessoas, Aparecido diz ter violentado Tâmis Marques Mendes da Silva, de 24, sexualmente antes de esgorjala. Para Adriana, o suspeito seria um psicopata. “Não sou psicóloga para afirmar, mas ele apresenta características de psicopatia. Ele sequer demonstra algum arrependimento pelas coisas que fez”, pondera.

Quanto às motivações, a delegada-geral acredita que sejam de ordem financeira. Dias antes de morrer, Lázaro havia fechado um negócio de R$ 36 mil com venda de gado. Aparecido também afirma ter trabalhado na propriedade, e demonstra guardar rancor da época em que foi funcionário de Lázaro. Entretanto, Adriana aparenta otimismo. “As investigações estão avançadas. Acredito que estamos perto do final”, encerra.

Fonte: O Hoje
Texto: Taynara Borges