Governo lança plano para a segurança pública com metas a curto, médio e longo prazos

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Ações a serem desenvolvidas dentro do plano de segurança anunciado pelo governo

O governo estadual, por meio da Secretaria de Segurança Pública de Goiás (SSP), lançou ontem um Planejamento Estratégico com metas a curto, médio e longo prazos para conter os elevados índices de violência em todo o Estado. O programa estabelece como principais pontos a criação do Comando de Missões Especiais (CME) para atuar, principalmente no combate ao crime a partir da divisa com outros Estados, e a estadualização das Rondas Táticas Metropolitanas (Rotam), que passará, juntamente com os Batalhões de Choque e de Operações Especiais, a atuar em todo o território goiano.

 O Planejamento Estratégico da SSP está previsto para ser efetivado ao longo do ano que vem e em 2013. Tal proposta foi anunciada três semanas depois de a própria SSP ter apresentado o Programa para a Redução da Violência em Goiás. Elaborado em sua maior parte por técnicos da Polícia Civil, o plano anterior previa ações pontuais que visavam sobretudo a redução de 72% dos casos de homicídio no Estado em dez anos.

 Uma fonte da SSP afiançou que um plano não inviabiliza o outro. “O primeiro visava resolver uma questão mais imediata. As metas do Planejamento Estratégico, apresentadas ontem, são mais amplas, representam um plano de governo”, declarou. Especialistas na área de segurança acentuam que as propostas anunciadas ontem têm o mérito de prever o reforço do policiamento no interior, para onde estão migrando criminosos organizados que atuam em Goiânia e mesmo em outros Estados ( veja reportagem nesta página ).

 Algumas ações do Planejamento Estratégico já estavam delineadas no Programa para a Redução da Violência em Goiás, entre as quais a criação do Centro de Triagem em Goiânia, abertura de novas vagas em presídios a partir de parcerias público-privadas e com recursos do Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci). Inicialmente, não há previsão de aumento de efetivo policial.

 A ideia, segundo o secretário de Segurança Pública, João Furtado, é otimizar os recursos material e humano já existentes. “Nossa ideia é conter o tráfico de drogas, de armas, os roubos de cargas e de veículos. A Rotam deixa de ser metropolitana, vai ganhar musculatura e atuar em todo o Estado, assim como o Batalhão de Choque e o de Operações Especiais”, assinalou. Os Grupos de Patrulhamento Tático (GPTs) instalados nas 14 regionais no Estado serão incorporados à Rotam.

 De imediato, afirmou o secretário, serão montadas cinco bases, mas não há previsão de contratação de policiais. “Vamos remanejar, trabalhar com o que temos”, disse. Para 2012, quando serão instaladas mais dez bases, haverá necessidade de recrutamento. “Faremos seleção de pessoal para o curso de formação, para quem já é formado em operações especiais e patrulhamento tático”, assinalou.

Interiorização é proposta bem vista

A proposta de interiorização das ações policiais, apresentada ontem pela Secretaria de Segurança Pública (SSP), é vista como positiva pelo advogado e empresário Ivan Hermano Filho, especialista em segurança. Ele destaca que até hoje o Estado não havia reforçado, de forma maciça, a precária estrutura policial existente no interior. O reduzido efetivo, conforme diz, além de submeter o policial à sobrecarga de trabalho, pode ter proporcionado o avanço significativo do número de criminosos em vários municípios goianos. Não raro, estes grupos vêm para a capital para o cometimento de crimes e, depois, retornam para as cidades de origem.

Ivan Hermano ressalta que Goiás está localizado em ponto estratégico do País, o que favorece a entrada de criminosos de outros Estados para o território goiano. Neste aspecto, o especialista em segurança defende a criação do Comando de Operações de Divisa, estruturado para monitorar as fronteiras goianas, e do Comando de Operações de Recobrimento, que terá a competência de atuar em todo o Estado em caso de situações de crise e de crimes cometidos por bandos organizados.

Ivan Hermano também considera oportuna a instalação de Delegacias de Polícia Civil bem-estruturadas e que funcionam durante 24 horas no interior. Tais unidades, conforme o anúncio feito ontem, serão instaladas inicialmente na capital e em Trindade, Anápolis e Pirenópolis. Para o especialista, também é fundamental o investimento do governo no policiamento rural. As propriedades localizadas em diferentes pontos do Estado, descobertas de policiamento, têm cada vez mais chamado a atenção dos bandidos. Afinal, assinala Ivan Hermano, os defensivos agrícolas são caros e os tratores, bem mais rentáveis que os veículos comuns roubados nas cidades.

 Na avaliação de Ivan Hermano, o governo foi “corajoso” ao lançar um plano bem mais abrangente três semanas depois de ter apresentado outro. “O Estado tem de atacar o que deve ser atacado, o cerne da questão”, sublinha. Ele destaca a importância de a população voltar a acreditar na polícia e apoiar as ações desenvolvidas em benefício dela. “Se as pessoas deixam de registrar um boletim de ocorrência, por exemplo, as autoridades da área de Segurança não terão parâmetros fiéis para definir suas ações.”

Fundo Judiciário será usado em construções

 O governador Marconi Perillo destacou que, em 2012, o governo terá de R$ 50 milhões a R$ 60 milhões, do Fundo Judiciário, para investir nas reformas e construções de Instituto Médico-Legal (IML) e outras ações. Ele também apontou vantagens da construção de presídios privados. O governador referiu-se ao Planejamento Estratégico anunciado ontem pela Secretaria de Segurança Pública.

 O secretário de Gestão e Planejamento, Giuseppe Vecci, frisou que a Segurança Pública é o segundo órgão a assinar os contratos de gestão por resultados, que permitirá um controle maior dos gastos, o aumento da receita e melhoria nos serviços, além da possibilidade de bonificação por mérito.

 O anúncio do plano foi realizado durante a realização de evento denominado Integraseg, para discussão e elaboração do planejamento estratégico da Segurança Pública em Goiás para 2012, quando o Comitê de Planejamento do órgão se reuniu pela primeira vez. “Quando fazemos os diagnósticos, percebemos que é preciso ter foco, projetos estruturantes, monitoramento e avaliação. É um desafio constituir uma base sólida e qualificar a ação policial preventiva e repressiva”, disse. Na ocasião também foi feita a entrega de cinco caminhões para o Corpo de Bombeiros, para combate de incêndios.

Fonte: O Popular
Texto: Carla Oliveira e Maria José Silva