Nadir Cordeiro, a 1ª Delegada da Mulher de Goiânia, é retratada no livro Mulheres de Delegacia

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Nadir Batista Cordeiro

 

Tudo que eu quis, eu corri atrás, sempre com muita luta. Nada foi fácil pra mim. Tudo que tenho consegui com muito suor e trabalho. Este legado eu vou deixar para os meus netos, meus filhos, que é o legado da perseverança, da honestidade, da seriedade. Trabalho por amor à profissão, por amor em ajudar as pessoas, em ajudar meus colegas. Nunca fiz trabalho político. Sempre me dediquei integralmente à Polícia Civil.

Delegada Nadir Batista Cordeiro

Nasci no dia 24 de janeiro de 1946, na cidade de Arraias onde hoje é o estado do Tocantins. Tenho três filhos e sou formada em Direito pela Universidade Federal de Goiás, com especialização em Direito Penal, Processo Penal, Administrativo e Constitucional.

Comecei minha carreira na Policia Civil como escriturária em 1973. Na época o teste físico parecia ser feito para mulheres não serem aprovadas, provas como correr100 metros com um saco de60 kg nas costas. Logo em seguida iniciei o meu curso de Direito na Universidade Federal de Goiás, com a empolgação do curso um ano depois de ter me tornado escriturária,  passei no concurso para escrivã. O salário que eu recebia era pouco e com ele não conseguia comprar meus livros, decidi então, com as horas vagas que eu tinha, trabalhar na revista feminina do Cepaigo para ganhar um dinheiro extra e assim conseguir pagar meus livros. Depois de quatro anos, em 1977 me formeiem Direito. Depois de formada prestei mais um concurso para Comissária da Policia Civil e dois anos depois tomei posse como Delegada da Policia Civil.

Em 1985 o governador da época baixou um decreto para que criasse a Delegacia da Mulher, após uma forte pressão dos movimentos feministas. Esses mesmos movimentos, como o CEVAM, reivindicaram o direito de escolher a delegada, e assim me escolheram para representá-las a frente da Delegacia da Mulher. Tornei-me,  a primeira Delegada da Mulher do Estado de Goiás e lá fiquei por dez anos.
Hoje estou na DEPAI – Delegacia de Polícia de Apuração de Atos Infracionais. Nesses 39 anos de Policia Civil nunca tirei uma licença prêmio, ou até mesmo matei algum dia de serviço, bato meu ponto religiosamente no horário certo.