Polícia Civil desconfia que buraco no calçadão na Cidade de Goiás teve a mão do homem

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Delegado Luziano Carvalho

A Delegacia Estadual do Meio Ambiente (Dema) conclui hoje, na cidade de Goiás, investigação sobre a cratera que se abriu no calçadão, entre a prefeitura e a casa da poetisa Cora Coralina, após transbordamento do Córrego Manoel Gomes, no último dia 7 de janeiro. Para o titular Luziano Severino Carvalho, pode haver interferência humana no processo.

“Nessa operação, a Polícia Civil vai ser acompanhada de pessoal da perícia técnica e, também, da Secretaria Estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh)”, informa o delegado Luziano. “Foram 50 dias de investigação na área. Pelo que pudemos perceber nesse período, o que era um buraco, só aumentou; hoje aquilo é uma verdadeira cratera”, acrescenta.

Segundo o delegado, a água tem chegado ao local com muita areia e a equipe trabalha com a hipótese de que o problema possa ter relação com a construção de uma obra nas proximidades. “É o que pretendemos verificar para, enfim, chegarmos a uma conclusão. Acho estranho que o rio, por si só, transbordando, provoque esse tipo de estrago”, reitera ele.

O Córrego Manoel Gomes, afluente do Rio Vermelho, transbordou no início da manhã do dia 7 de janeiro, um sábado, levando preocupação aos moradores da cidade de Goiás, Patrimônio Cultural da Humanidade – eles temiam que se repetisse a cheia do Rio Vermelho, ocorrida no réveillon de 2001. De acordo com o Corpo de Bombeiros, o transbordamento, no mês passado, danificou cerca de 5 metros quadrados do calçadão, entre a prefeitura e a Casa de Cora, mas não houve danos a residências.

Indiciamento

Além do caso envolvendo o buraco na calçada às margens do Rio Vermelho, Luziano Carvalho anuncia o indiciamento de sete produtores rurais da região – a maioria, conforme afirma, grandes fazendeiros, cujos nomes ele preferiu manter em sigilo –, por crimes ambientais. “O solo, na cidade de Goiás, está saturado, não há mais impermeabilização. Toda essa situação é fruto dessas infrações, dessa ação predatória contra o meio ambiente”, argumenta o delegado.

Buraco que se formou no calçadão

Luziano explica que todos os crimes investigados envolvem áreas de proteção permanente (APPs) localizadas no município. Fora o desmatamento ilegal, foram verificadas limpeza de pastagem em topos de morros, nascentes e margens de rios, e, também, uma construção irregular. “A grande preocupação deve ser não com o período das chuvas, mas com o período de seca”, destaca o delegado. “A falta d’água é consequência natural dessas infrações e crimes ambientais”, completa.

No dia 16 de dezembro do ano passado – por ocasião dos dez anos da enchente em Goiás –, O POPULAR publicou caderno especial sobre as consequências da degradação ambiental para a cidade que é Patrimônio da Humanidade. A reportagem apurou que as causas daquela tragédia só fizeram se agravar nesta última década, em que as cabeceiras do Rio Vermelho passaram por um intenso processo de degradação. Segundo especialistas, a cidade histórica está sujeita a novas catástrofes daquele porte, talvez até mais graves.

Texto: Patrícia Drummond
Foto: Polícia Civil/DEMA
Fonte: O Popular