Crime cruel: Polícia Civil prende mulher por matar a vizinha e sequestrar seus bebês gêmeos

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Um dos bebês sequestrados pela costureira

Marli Nogueira da Silva teria matado
Raimunda Vieira para ficar com os
gêmeos dela, de 8 meses. Corpo foi
encontrado em matagal

 

A costureira Marli Nogueira da Silva, de 50 anos, foi autuada em flagrante por homicídio, ocultação de cadáver e sequestro de dois bebês, gêmeos de 8 meses de idade, deixados na casa de três conhecidas dela, em Inhumas. Marli mora em Itauçu, onde há alguns meses aproximou-se da família da dona de casa Raimunda Vieira, de 34 anos, mãe de cinco filhos. Os mais novos, os gêmeos, de 8 meses, já haviam sido fotografados por Marli.

Raimunda, que morava com o marido e os filhos em Itauçu, foi atraída até Inhumas, onde Marli disse que iria conseguir uma casa em um programa habitacional do governo. Ela viajou com Marli na quinta-feira da semana passada, levando os cinco filhos.

No final do dia, Marli retornou a Itauçu com os três filhos maiores de Raimunda, dizendo que ela tinha ido embora para a casa de familiares em Luziânia, no Entorno do Distrito Federal e, de lá, seguiria para o Ceará, onde mora a família dela.

A família de Raimunda, porém, não teve mais notícias dela e dos gêmeos. Houve grande mobilização na cidade para tentar encontrar os três. No domingo, funcionários de uma fazenda a 10 quilômetros de Itauçu encontraram o corpo de Raimunda. Acharam que ela tinha sido picada por uma cobra. O corpo estava queimado.

O filho mais velho de Raimunda, ouvido pela Polícia Civil, contou que Marli jogou um líquido no rosto da mãe depois de uma discussão. A Polícia Civil acredita que era álcool, já que o corpo foi queimado. Assim que o corpo foi encontrado, Marli foi presa, mas negou qualquer envolvimento com o assassinato e ocultação do cadáver de Raimunda.

Através de investigações, a Polícia Civil encontrou os gêmeos de 8 meses em uma casa em Inhumas. A moradora da casa acreditava que Marli era a mãe dos bebês e receberia um salário mínimo para olhar as crianças até ontem, segunda-feira. Marli havia pedido, há um mês, a três amigas diferentes que olhassem os filhos dela, resultado de uma gravidez indesejada quando esteve em São Paulo

A costureira chegou a apresentar um teste de gravidez feito em Itauçu comprovando que ela estava grávida e foi com esse teste que convenceu as amigas a testemunharem que ela teve os gêmeos, registrados como filhos dela no cartório da cidade.

Em investigação no final da tarde de ontem, o delegado Humberto Teófilo de Menezes Neto descobriu que não apenas as certidões de nascimento das crianças foram adulteradas, mas que o exame de Marli era falso também.

“Ela se fazia passar por grávida para posteriormente ludibriar as testemunhas”. Ele vai indicar Marli por homicídio triplamente qualificado (por motivo fútil; por recurso que impossibilitou a defesa da vítima e, cometido para encobrir outro crime), destruição e ocultação de cadáver, registrar como seu filho de outrem e sequestro dos dois bebês.

Hoje (04.03), o delegado aguarda o laudo preliminar do Instituto Médico Legal para saber como Raimunda foi morta. “Provavelmente foi por envenenamento ou por asfixia”, acredita.

Os bebês e as outras três crianças estão sob os cuidados de uma tia paterna. É que o pai das crianças cumpre pena no regime semiaberto por roubo. Durante toda a investigação ele disse que não aprovava a aproximação de Marli de sua esposa e filhos. Achava estranho a mulher fotografar os filhos e prometer ajudar a família a conseguir uma casa popular.

Para o delegado Humberto Teófilo, tudo indica que Marli ia traficar as crianças. A Polícia Civil investiga essa possibilidade, apesar da mulher negar o envolvimento dela no crime. Outra linha de investigação, a de que a mulher ia ficar com os bebês, não foi descartada ainda pela Polícia Civil.

Fonte: O Popular
Texto: Rosana Melo
Foto: O Popular( Reprodução TV Anhanguera)