Crime luxo: Polícia Civil prende cinco de uma quadrilha de roubos de veículos de luxo

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Cinco pessoas suspeitas de integrar uma quadrilha de roubo de veículos de luxo foram apresentadas ontem pela Polícia Civil. O grupo, que tem duas mulheres como integrantes, teria roubado durante o ano de 2012 cerca de 100 carros, como Toyota Corolla, Honda Civic, Hyundai I30 e camionetes como Toyota Hillux e Amarok. A prisão dos suspeitos ocorreu na madrugada do último sábado, 2, em uma casa no Residencial Belo Horizonte. Foram detidos Júlio Cesar Martins Ferreira, 22 anos, Priscila Bianca Moraes, 20, Nayara Peixoto Vieira, 19, Rodrigo do Nascimento Mendes, 26 e Flávio Marques Alves, 26. Outras duas pessoas que integram o bando ainda não foram detidas e são consideradas foragidas. São elas Thainã Vaz da Silva, líder da quadrilha, e um menor de 17 anos.

Delegado Edson Carneiro Caetano

O titular da Delegacia Estadual de Repressão a Furtos e Roubos de Veículos Automotores (DERFRVA), Edson Carneiro, diz que a quadrilha é formada por pessoas de Goiás e Mato Grosso do Sul, já que um casal que estava hospedado na residência de Thainã era daquele Estado. O grupo era altamente especializado. “Eles roubavam, adulteravam o veículo e depois revendiam”, explica Carneiro. O delegado afirma que até mesmo um carnê, para simular o financiamento do veículo, era utilizado na hora da revender o carro para não levantar suspeitas.

“Como eles revendiam o carro por um valor bem abaixo do de mercado – em média entre R$ 20 e 30 mil – argumentavam que estavam vendendo porque não tinham conseguido pagar o financiamento do veículo”, afirma Carneiro. Com a quadrilha, a Polícia Civil também conseguiu apreender etiquetas com numeração de chassi para adulterar os códigos impressos em partes do veículo, e também diversos Certificados de Registro e Licenciamento de Veículo (CRLV) falsificados, mas feitos em papel autêntico, possivelmente roubado de órgãos de trânsito. Ainda estava em posse dos suspeitos uma pistola, três laptops, cartões de crédito, entre outros produtos.

Polícia chegou ao bando após roubo de um veículo Hyundai I30, que depois de roubado foi levado para um lavajato no Setor Parque Oeste Industrial, propriedade de Rodrigo do Nascimento. Local era utilizado para o carro “esfriar”, ou seja, para esperar algum tempo e verificar se o veículo era rastreado ou não. “Eles assaltavam, levavam o carro para o lavajato e após um período lavavam o veículo e faziam a clonagem” explica o titular da DRFRVA. A suspeita da polícia é que que a maioria, dos carros roubados e adulterados, era revendida no Mato Grosso do Sul. Também é investigado a possibilidade de que Júlio Cesar trocasse os veículos por drogas, onde ele cumpria pena no regime semiaberto por associação ao tráfico.

Segundo o delegado Edson Carneiro, nas abordagens às vítimas, os bandidos após monitorá-las agiam com bastante rapidez e também violência, ameaçando-as inclusive com armas, como ocorreu em um assalto realizado no dia 13 de fevereiro deste ano, no Setor Leste Universitário. As imagens de uma câmara de vigilância mostra que os bandidos, em um Corolla, observavam o motorista de uma Amarok, enquanto ele colocava algumas bagagens dentro da camionete. Após perceber que havia tempo para ação, os bandidos pararam e abordaram as duas vítimas, e rapidamente o veículo foi roubado.

As participação das mulheres na quadrilha, segundo o titular Edson Carneiro, não envolvia participar do assalto. “Elas guardavam as armas, inclusive a que foi apreendida, e também as etiquetas para adulteração dos chassis”. As mulheres também podem ser vistas em várias fotografias em que os integrantes da quadrilha ostentam o veículos luxuosos roubados.

Todos os membros do bando irão responder por formação de quadrilha, receptação, falsificação de documentos, adulteração de sinal identificador. Com a desarticulação de mais uma quadrilha, o delegado Edson Carneiro diz esperar que o número de roubos diminua. “Esperamos isso porque eles roubaram um número substancial de veículos no ano passado”, explicou.

Fonte: Diário da Manhã
Texto: Marcelo Tavares