Horror: Crimes levam PC a fechar centro de reabilitação para dependentes químicos

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Sinais de tortura em interno do centro de reabilitação em Anápolis

Uma operação da Polícia Civil libertou ontem de manhã (11.06) 70 pessoas – entre elas, 15 mulheres – que teriam passado por sessões de tortura e seriam mantidas presas em três unidades de um centro de reabilitação para dependentes químicos em Anápolis. O delegado Manoel Vanderic Filho, titular do 6º Distrito Policial de Anápolis, diz que os internos eram mantidos em cárcere privado e, se desobedecessem o regulamento da instituição, eram levados para um quarto escuro, onde permaneciam isolados por vários dias.

Além disso, os internos passavam por agressões verbais, psicológicas e físicas, inclusive com tiros de sal, que eram colocados em uma arma de pressão e disparados contra eles, como relata Wesley de Souza, um dos agredidos. Ele diz que foi algemado e torturado dentro de um banheiro, ao ponto de ter a mandíbula quebrada.

Através de imagens de uma câmera escondida cedidas pela polícia, o diretor Wilmar Pereira de Siqueira confessou que muitos internos recebiam doses de medicamentos (calmantes) de tarja preta, durante a fase de remoção para a Casa de Recuperação.

A mesma câmera mostrou que as condições físicas das clínicas também eram precárias, pois os colchões estavam espalhados pelo chão de cada quarto, cujas janelas estavam sem vidro. As condições de higiene da cozinha também denunciavam desleixo, inclusive com verduras apodrecidas. Todas as unidades eram cercadas com muros altos e telas acima dos muros, impedindo que os internos saíssem da clínica.

Pagamentos

Pelo tratamento, de acordo com o diretor, a família tinha que pagar R$ 8 mil, que poderiam ser divididos em 10 até parcelas, “isto sem incluir a taxa de remoção, que fica em torno de 200 reais”, relatou o diretor, sem saber que falava para a polícia. O delegado Manoel Vanderic informou ainda que o centro de recuperação funcionava ilegalmente, pois não dispunha de qualquer licença, seja do Ministério Público, ambiental ou licença municipal. O delegado acredita que o centro de recuperação tenha arrecadado mais de R$ 500 mil, já que funcionava há dois anos na cidade.

Na unidade do bairro Arco Verde, região leste da cidade, os agentes do 6º DP encontraram 40 homens e 15 mulheres. Já em uma casa de recuperação localizada no bairro Jardim das Oliveiras estavam 20 internos. Segundo informou o delegado, esses recuperandos, na verdade, foram transferidos para a clínica do Jardim das Oliveiras, assim que os diretores desconfiaram que a polícia havia descoberto o local. Na unidade do Santos Dumont ficaram apenas cinco recuperandos.

A Polícia Civil executou a prisão do médico Sandro Rogério Kaku da Silva, de 37 anos, que segundo o delegado Manoel Vanderic Filho é um dos sócios proprietários da clínica, ao lado de André Rocha, que se encontra foragido. Além do médico, a polícia prendeu o diretor Wilmar Pereira de Siqueira e o coordenador Jhonatan Costa da Mata, além de seus auxiliares Almerindo da Silva Neves, Madson Rodrigues dos Santos Ramos e Tiago Torres da Silva.

Fonte: O Popular
Texto: Paulo Nunes
 Foto: G1/GO