Decar prende em flagrante motorista aliciado por quadrilha de roubo de cargas

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WhatsApp Image 2016-09-27 at 18Policiais da Delegacia Estadual de Repressão ao Roubo de Cargas (Decar) prendeu em flagrante um motorista de caminhão aliciado por uma quadrilha para cometer desvio de produtos transportados em sua atividade profissional. A prisão foi realizada no contexto da Operação Judas Iscariotes. Romeu Costa Barbosa (foto) vinha sendo monitorado pelos investigadores da especializada desde o dia 19 de setembro, ao registrar falsamente ter sido vítima de roubo de carga em Pernambuco.

O modo de ação de Romeu, motorista de uma empresa especializada no transporte de cargas refrigeradas, revela uma nova forma de agir dos autores: a falsificação de Boletins de Ocorrência (BOs) de roubo de carga, apresentados aos diretores das empresas trasportadoras como forma de justificativa para o desaparecimento das cargas desviadas pelo próprio empregado, em conluio com os membros das quadrilhas.

De acordo com o titular da especializada, delegado Alexandre Bruno, essa ação significou uma modificação na conduta dos criminosos. “Inicialmente, eles rendiam os motoristas dos caminhões e roubavam a carga. Com o reforço na repressão a essas atividades, passaram a aliciar os motoristas. Para garantir que se saíssem ilesos, esses motoristas assim aliciados se dirigiam a uma delegacia e forjavam uma ocorrência de roubo a cargas para apresentar aos patrões”, relata.

Dificuldades
Bruno acrescenta que mesmo esse tipo de ação vinha sendo investigado pela Decar, com o desbaratamento de quatro organizações criminosas. Ele afirma que o sistema de registro de ocorrência de Goiás, configurado na confecção dos Registros de Atendimento Integrado (RAIs), passou a apresentar grandes dificuldades para que os motoristas aliciados lograssem disfarçar seu crime por meio de falsa denúncia de roubo de carga.

“Foi então que eles passaram a falsificar os próprios BOs. Como em Goiás ficou muito difícil, forjaram BOs de outros estados, como Pernambuco, Paraíba, Bahía e Pará”, relata.

Romeu foi autuado por Uso de documento Falso e Furto Qualificado Mediante Fraude (respectivamente Artigos 304 e 155, Inciso II, do Código Penal Brasileiro). As penas são de reclusão de um a cinco anos para o primeiro crime e de dois a oito anos para o segundo. Em ambos é previsto pagamento de multa.