Grupo Anti-Sequestro da DEIC registra 65 desaparecidos em apenas 78 dias em Goiânia

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Camila Cândida desapareceu com o filho

Camila Cândida saiu na tarde de sexta-feira com o filho Gabriel Macedo Silveira, de 5 anos, e não avisou para ninguém. Passada uma semana, ela ainda não retornou e apenas notícias vagas chegaram para a família. A irmã dela, Gisele Cândida, procurou ontem a polícia para buscar ajuda e conta que está preocupada com o sumiço repentino dos dois.

“Fiz contato com amigos, familiares e a última alternativa foi a polícia. Ao longo da semana me disseram duas vezes que viram a minha irmã no Setor Campinas sem o filho dela. Isso tem me preocupado ainda mais. Tenho medo de ter acontecido algo aos dois”, diz.

Ela conta que a irmã mora com a avó e que não usava drogas, não bebia nem tinha desafetos, o que tem intrigado a família. Gisele só lembra que a irmã recentemente havia terminado um namoro. “Isso tem me apavorado. Ligo no celular dela e no do antigo namorado, mas os dois estão desligados”.

O delegado Thiago Damasceno, chefe dos Grupos Antissequestro e de Desaparecimento de Pessoas da Delegacia Estadual de Investigações Criminais (DEIC), afirma que quase todo dia casos como o de Camila são registrados em Goiânia. Em 78 dias, 65 casos de desaparecimentos foram computados em Goiânia, segundo o delegado. “Infelizmente quase que diariamente tem caso de desaparecimento na capital.”

Grande parte deles é resultado do envolvimento com o tráfico de drogas. “Além do principal fator, que é a droga, tem também a ligação com crimes. A pessoa é jurada de morte e se isola da família para não correr risco. Mas quando há esse tipo de envolvimento a chance de morte é grande. Às vezes também tem relação com problemas psiquiátricos, como surtos, ou até com a bebida alcoólica”, afirma Damasceno.

Uma minoria, que tem chamado a atenção do delegado, é o de autodesaparecimento. “É quando a pessoa foge de casa e não quer mais manter vínculo com os familiares. Por algum motivo a pessoa deixa o meio de convivência dela”, expõe. Dos 65 casos anotados em 2015, 40 já foram solucionados. Em 2014, o Grupo de Antissequestro e de Desaparecimento de Pessoas registrou cerca de 320 ocorrências, sendo que 225 delas foram esclarecidas.

Tiago Damasceno argumenta que as buscas são realizadas de diversas maneiras. “Além da ajuda da família, procuramos em vários sistemas como o da Secretaria de Segurança Pública e Administração Penitenciária (SSP), do Instituto Médico-Legal (IML), do Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo) e da Secretaria de Saúde para ver se o Sistema Único de Saúde (SUS) prestou algum tipo de atendimento. Verificamos também os hospitais psiquiátricos, Centros de Atendimento Integrado à Saúde (Cais), e também as regiões em que a pessoa costumava frequentar”. Passado um mês, as informações do desaparecimento são enviadas ao Instituto de Identificação, que em seguida envia os dados para o Banco Nacional de Desaparecidos.

Fonte: O Popular
Foto: Álbum de família