Polícia Civil: Detento que cumpre regime semiaberto é preso com um carro roubado

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Cleiton Alves de Oliveira, que foi preso com carro roubado

A prisão do suspeito do roubo de um veículo, Cleiton Alves de Oliveira, de 28 anos, na última quinta-feira, no bairro Dom Fernando 2, ajudou a Polícia Civil a identificar a existência de mais uma quadrilha de furto e roubo de veículos em Goiânia, que possui um líder preso no Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia.

O delegado titular da Delegacia Estadual de Repressão a Furtos e Roubos de Veículos Automotores (DERFRVA), Edson Carneiro, permitiu que o preso, que estava na cela da delegacia, atendesse o celular, que foi colocado no viva voz. Do outro lado, o homem pedia a Cleiton que organizasse a documentação falsa para quatro carros que ainda seriam roubados na capital.

O caso chama a atenção para a grave situação do uso de celulares por presos do Complexo Prisional que lideram quadrilhas de dentro do presídio. No última dia 17, outra quadrilha que agia sob comando vindo de dentro do presídio também foi desarticulada.

Segundo o delegado Edson Carneiro, Cleiton faz parte de uma outra quadrilha, diferente da que foi deflagrada pela operação Elo do Crime. “Esta questão do uso de celulares em presídios dificulta muito o trabalho da polícia, porque chegamos até os criminosos, prendemos eles, mas eles continuam cometendo os crimes de dentro da cadeia”, destaca.

SEMIABERTO
O delegado conta que Cleiton foi preso na última quinta-feira quando estava no bairro Dom Fernando 2 com um veículo Honda City, que havia sido tomado em assalto no dia 21, na Praça Universitária. O jovem cumpria pena no regime semiaberto quando foi preso por receptação e adulteração de sinal identificador, já que a placa do carro já tinha sido alterada.

“Ele tinha um celular e fizemos com que ele atendesse as ligações que estava recebendo. Quando ele atendeu colocamos o celular no viva voz e a pessoa, que disse que estava no Complexo Prisional, avisava Cleiton que seriam roubados quatro veículos, um Polo, uma S10, um Golf e um caminhão, e que ele deveria guardá-los e preparar a documentação falsa”, relata o delegado.

Edson Carneiro afirma que está sendo realizada uma investigação sobre o caso e que a polícia já tem pistas sobre quem é o preso que ligou para o jovem. “Enquanto estivermos investigando, o Cleiton vai continuar preso na delegacia. Depois ele voltará para o presídio, onde provavelmente voltará a cumprir pena em regime fechado”, informou. Cleiton foi preso anteriormente por tentativa de homicídio.

BLOQUEADOR
O superintendente de segurança penitenciária do Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia, João Carvalho Coutinho Júnior, diz que não recebeu informação oficial sobre o fato de Cleiton Alves ter recebido a ligação de um preso do Complexo. “Não foi confirmado para nós que a ligação foi feita de dentro do presídio. Para mim, por enquanto, trata-se de uma hipótese”, disse.

10 ANOS
Após a polícia ter deflagrado a operação Elo do Crime, reportagem do POPULAR mostrou que articulações de quadrilhas de dentro de celas são flagradas há mais de 10 anos por autoridades. Ontem João Júnior voltou a explicar, como fez para a reportagem anterior sobre o assunto, que a solução para o problema está na instalação, pelo Estado, de um bloqueador de sinal de celular israelense, orçado em R$ 1 milhão.

Conforme João Júnior a complexo prisional possui um bloqueador hoje, que não é usado em sua potência total, o que inviabilizaria o funcionamento de indústrias e estabelecimentos comerciais próximos ao complexo. “A tecnologia do equipamento israelense é diferente. Ele impede que as ligações sejam completadas”.

A dificuldade para a instalação imediata do bloqueador é a autorização do governo para a liberação da suplementação orçamentária solicitada pela Secretaria de Administração Penitenciária e Justiça no início do ano, que tornará possível a compra do equipamento. “Ainda estamos esperando uma resposta do governo”, disse.

REVISTAS
João Júnior acredita que os celulares usados no Complexo Prisional de Aparecida entram no presídios no corpo de mulheres que visitam os presos. A revista vexatória, que consiste na revista de mulheres nuas com as pernas abertas sobre um espelho, foi extinta do complexo prisional e substituída pela revista humanizada.

De acordo com o superintendente, as equipes têm feito revistas em todas as celas do presídio e os celulares continuam sendo encontrados. “Dependemos desse equipamento para controlar a entrada dos aparelhos. Esta é a forma mais eficiente de evitarmos esse problema”, frisou.

João Júnior destacou que a Secretaria de Administração Penitenciária e Justiça irá instalar um circuito de câmeras em algumas áreas do complexo no ano que vem. “Só não poderemos colocá-las nas celas porque os presos quebram os equipamentos”, sublinhou.

Fonte: O Popular
Texto: Camila Blumenschein