DPCA, de Aparecida de Goiânia, prende suspeito de abusar do filho adotivo de apenas 11 anos

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Dono de centro espírita é preso por abusar sexualmente de filho adotivo

Foi preso na manhã desta quinta-feira (22/3) um homem suspeito de abusar sexualmente do filho adotivo. Valdeson Pereira da Silva, 40 anos, está preso preventivamente na Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), de Aparecida de Goiânia , e segue amanhã para a Casa de Prisão Provisória (CPP).

Valdeson é proprietário do Centro Espirita Cabana Espírita Pai Jose da Bahia, onde, segundo testemunhas, praticava rituais de magia negra. O suspeito teria adotado legalmente o menor de sete meses, hoje com 11 anos, de quem teria começado a abusar há um ano.“Não sabemos a origem do menino. A mãe era prostituta e o pai desconhecido”, afirmou a delegada titular da DPCA, Myrian Vidal.

O menor contou, em depoimento, que Valdeson costumava ir ao o cemitério, quebrava o túmulo e o caixão, de onde retirava ossos de pessoas mortas para assustá-lo. Trechos do depoimento revelam oas busos sofridos. “O Valdeson recebia muitos clientes em casa, porque eles iam pra ele fazer magia negra. As pessoas pagavam pela magia negra com dinheiro, mas elas levavam bebida, pinga, cigarros e drogas para oferecer aos espiritos. Eu via, desde pequeno. A partir dos meus 5 anos, ele me obrigava a ver e me fazia participar, eu servia às pessoas incorporadas cigarros, bebidas e drogas e era responsavel por bater o tambor durante o ritual”, afirmou a vítima.

Há três meses, o menino mandou uma carta com nove folhas para a DPCA, na qual contava as agressões que vinha sofrendo. “Em cada folha, a criança contava maus tratos praticados por um membro da família. A mãe e o irmão de Valdeson também agrediam o menino”, pontua a delegada.

“Meu sono era pesado. Ai eu acordava de repente e ele estava tirando minha roupa. Eu saia correndo e ia dormir na sala. Mas quando eu acordava ele me batia, muitas vezes eu nem lembrava do que tinha acontecido direito à noite, mas eu sabia que ele estava me batendo porque eu não queria aceitar o que ele fazia comigo”, contou o menor, em depoimento.

O menor estudava em uma escola particular onde não pagava nada. “A diretora viu a criança desnutrida e deixou que ela estudasse de graça. Na escola, o menino conheceu um garoto e, quando enviou a carta para a delegacia, fugiu para a casa do amigo”, explicou Myrian.

Desde o desaparecimento do menino, Valdeson iniciou uma busca pela cidade com pedidos de informação e distribuição de cartazes com a foto da criança. A mãe do amigo do menor entrou em contato com o conselho tutelar e entregou a vítima, que passou por testes pisicológicos e prestou depoimento na DPCA. “A criança está visivelmente abalada. Sofria maus tratos e humilhações”, pontuou a delegada.

“Ha 4 anos, em uma briga de bar, ele foi esfaqueado e passou a ter dificuldades para falar e caminhar e a partir de então ele me obrigava a limpar suas fezes. Que por algumas vezes esfregava a sujeira dele em mim, na minha cara. Depois de um tempo, ele passou a me obrigar a trabalhar vendendo doce e vigiando carro. O dinheiro ia para o Valdeson, que usava na compra de drogas. Ele (Valdeson) usava muita droga, o vi usar crack, maconha e cocaina. Ele cheirava, fumava e usava latinha. Ele me obrigou a usar várias vezes, mas eu não aceitava e saia correndo”, declarou o menor.

O laudo psicológico atestou a veracidade da história contata pela criança e a DPCA se apoiou no fato para pedir a prisão provisória de Valdeson. Como os abusos sexuais eram apenas orais, não foi possível identificar provas através de exame de corpo delito, mais comum nestes casos. Outras testemunhas foram ouvidas, inclusive o companheiro de Valdeson, mas todos negam a versão da criança.

Fonte: A Redação – http://aredacao.com.br/
Texto:
Michelle Rabelo
Foto: Google – Ilustração