Policiais Militares serão indiciados por disparos que atingiram criança no Bueno

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paula meoti
Delegada Paula Meoti

Titular da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) de Goiânia, Paula Meotti vai indiciar o soldado da Polícia Militar Rafael Perillo Campos Leal, de 29 anos, e o cabo PM Jorge Alberto Vaz da Silva, de 28, por tentativa de homicídio qualificada. Eles são investigados no inquérito que apura os disparos desferidos contra o veículo em que estava o garoto Guilherme Vieira Furtado, de 7 anos, na noite de 31 de agosto, no Setor Bueno.

O menino foi atingido na cabeça por um tiro que teria saído de uma pistola .40, que estava em poder do soldado PM. Internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital da Criança, Guilherme ainda não interage com familiares.

No dia, a mãe de Guilherme sustentou a tese de que os tiros tinham sido desferidos pelos PMs, mas em depoimento posterior negou.

Ontem, a delegada disse que as provas que incriminam os policiais são incontestáveis. Além de refazer toda a dinâmica do episódio, a DPCA descobriu através do sistema de monitoramento por GPS da Secretaria de Segurança Pública (SSP) que a única viatura no local era a ocupada pelos dois policiais. Exames de balísticas comprovaram que estojo e projétil encontrados na mesma rua pertencem à pistola que estava com o soldado.

A perícia constatou ainda que os disparos foram efetuados do lado esquerdo, onde estava a viatura. Outra prova, segundo a delegada, foi a confirmação pela empresa que comercializa munição de que o lote foi vendido à Secretaria de Segurança Pública de Goiás.

Falta motivação
Na última quinta-feira, diante das provas apresentadas, os dois policiais optaram pelo silêncio. “O que falta agora é a motivação dos disparos”, explicou Paula. Ela pediu as prisões temporárias do cabo e do soldado, que foram cumpridas por seus superiores hierárquicos. Ambos estão recolhidos no presídio militar da capital.

A corregedoria da corporação abriu um Inquérito Policial Militar (IPM) para apurar o fato e informou à Polícia Civil que provas residuais de pólvora não indicavam que os policiais haviam usado arma de fogo naquela noite. “Os próprios peritos da Polícia Técnica têm sugerido que esse exame não seja pedido porque costuma dar falso positivo”, rebateu a delegada.

Paula explicou que, apesar do comportamento do pai de Guilherme não ter sido correto no trânsito, não há indícios de que ele tenha culpa no episódio. O carro da família, que continua recolhido na DPCA, ainda será submetido a novas perícias, mas há indicação de que ele tenha chassi adulterado. Sobre o motoqueiro, a delegada acredita que ele será identificado nos próximos dias.

Paula Meotti vai tentar uma nova oitiva com os policiais para fechar o inquérito e encaminhar ao Judiciário.

Fonte: Jornal O Popular
Foto: O Popular / Mantovani Fernandes