Filha de paciente morta é suspeita de revender remédio para tratamento de câncer

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Detidos são suspeitos de pegar remédios na rede pública e vender

A Polícia Civil apresentou, na manhã desta terça-feira (25), três suspeitos de revender remédio para tratamento de câncer, conseguido gratuitamente na Central de Medicamentos de Alto Custo Juarez Barbosa (Cmac), em Goiânia. Segundo o delegado responsável pelo caso, Fernando Gilli, o grupo usava a receita médica de uma ex-paciente, já falecida, mãe de uma das suspeitas detidas. O flagrante foi registrado por policiais.

Uma jovem, de 19 anos, um homem, de 43, e sua esposa, de 20, foram detidos na tarde de segunda-feira (24) em frente à Cmac, que é vinculada à Secretaria Estadual de Saúde. Momentos antes da abordagem, a garota mais nova pegou caixas do remédio na central, e foi a pé, acompanhada da segunda suspeita, até o carro onde o homem as esperava.

No vídeo, a jovem de 19 anos afirma aos policiais que pretendia doar os remédios para a Santa Casa de Goiânia. No entanto, em depoimento ela admitiu que revendia os medicamentos.

O delegado informou que a mãe dela morreu de câncer em julho deste ano. O médico teria dado receitas sem data para que ela não precisasse voltar ao consultório para pegar novas e pudesse manter o tratamento.

As investigações apuraram que a garota tinha quatro receitas sem data, sendo que a primeira foi usada para conseguir quatro frascos e a segunda, para pegar duas unidades do medicamento na data da abordagem policial. Outras duas receitas ainda não haviam sido usadas.

De acordo com a polícia, o medicamento receitado para a mãe da jovem custa cerca de R$ 5 mil, mas era revendido por um valor bem abaixo do mercado. “Ela tinha duas caixas que a mãe ainda não tinha usado e conseguiu mais quatro com uma das receitas. Os seis primeiros ela vendeu por cerca de R$ 8 mil no total. Quando efetuamos, a prisão ela tinha conseguido mais duas caixas que venderia por R$ 3 mil no total”, informou o delegado.

Por meio de nota, a Secretaria de Estado da Saúde informa que “todo medicamento que sai da unidade via judicial é liberado conforme receita médica e relatório”. A nota afirma ainda que recebeu uma denúncia anônima que a filha de uma paciente estaria realizando essa retirada após o falecimento da mãe e informou ao Ministério Público, que comunicou a polícia.

Confissão
O delegado disse que ouviu a jovem após a prisão, no 1º Distrito Policial de Goiânia, onde ela admitiu o crime. “Ela conta que foi induzida pelo outro suspeito, que trabalha em uma distribuidora de medicamentos e teria contatos para conseguir vender o produto. Ela disse que ficou relutante, mas que ele a convenceu de que seria um dinheiro fácil”, esclareceu. Já o homem e a esposa detidos negaram qualquer envolvimento com o esquema.

A polícia ainda apura se o médico que assinou as receitas tem participação no crime. “Essas receitas foram preenchidas indevidamente, mas a principio não existe prova de ma fé por parte de quem as preencheu, isso ainda tem que ser apurado”, esclareceu Fernando Gili.

Os três suspeitos serão indiciados por estelionato e podem ficar detidos por até oito anos, se forem condenados.

Fonte: G1 Goiás
Foto: G1