Polícia Civil investiga rombo de R$ 4,7 milhões na Secretaria de Cultura da Prefeitura de Goiânia

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Em meio às denúncias e investigações que assolam a Secretaria Municipal de Cultura (Secult) de Goiânia, o ex-secretário Kleber Adorno – que entregou o cargo na sexta-feira (16) e foi substituído pelo maestro Joaquim Jayme – afirma, em nota à imprensa, ter tomado “todas as providências necessárias” para colaborar com o caso. A Polícia Civil investiga a aplicação de R$ 4,7 milhões em empenhos e contratos de cinco empresas com a Secult entre 2007 e  2011.

A Secretaria de Comunicação da Prefeitura de Goiânia informou que irá aguardar a conclusão do inquérito da Polícia Civil para se pronunciar. Adorno afirmou ter pedido o afastamento do cargo para não ser acusado por qualquer ingerência junto à Comissão de Sindicância e muito menos na investigação policial. Ontem pela manhã, diversos artistas foram até a Delegacia de Repressão a Crimes Contra a Administração Pública (Derccap) para ouvir da delegada responsável, Érica Botrel, o andamento do processo que investiga a fraude.

Delegada de Polícia Érica Botrel

As despesas de diversas licitações da Pasta foram acobertadas com orçamentos fraudados. Todas as empresas envolvidas têm alguma ligação com o ex-diretor financeiro da secretaria, Wilson Ribeiro da Costa, que saiu do cargo em dezembro. Além dele, são investigados pela Derccap outros servidores públicos e proprietários de empresas.

O inquérito ainda não está encerrado. A previsão de conclusão é para o fim deste mês. Os envolvidos no esquema serão autuados por crime licitatório, estelionato contra a administração pública e formação de quadrilha. A pena pode chegar até em 11 anos.

Segunda Botrel, estão inicialmente envolvidos Wilson – identificado como fiador da Mega Stars Promoções e Eventos, mas existem fortes indícios que ele é o real proprietário da empresa – e o procurador jurídico da Secult, João Batista Cordeiro, e dono da Terra Postal Comunicação, Serviços e Empreendimentos e Agenda Comunicação. A empresa Arte Anônima e o Instituto Pró Educar, que funciona no mesmo local onde foi o comitê político do ex-secretário Kleber Adorno, também é citada no inquérito.

No documento, de 27 volumes e com quase sete mil páginas, é possível observar fraudes escancaradas. Por exemplo, duas empresas enviaram um orçamento igual. Apenas a logo de cada uma delas é diferenciada. Até a formatação do texto e tipo de fonte é a mesma.

Fonte: O Hoje
Texto: Cejane Pupulin
Foto: O Hoje