DENARC: Investigações da Polícia Civil dão prejuízo de R$ 500 milhões ao tráfico de drogas

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Delegado Odair José Soares

Em toda a história de Goiás, não há relatos de apreensões de drogas como em 2012. O ano bateu todos os recordes de descobertas de grandes traficantes. Jamais uma estratégia como essa foi montada antes. Agora, com os bons resultados, será método adotado pela Polícia Civil. Drogas como maconha, cocaína e ecstasy, que invadem e devastam a sociedade, são capturadas diariamente pelos serviços de inteligência da polícia. A Polícia Civil estima que o tráfico tenha tido um prejuízo de pelo menos R$ 500 milhões, neste ano, caso as drogas fossem vendidas no varejo.

Numa comparação entre as quantidades de entorpecentes apreendidas em 2010, 2011 e 2012 houve um aumento significativo. As apreensões de maconha e cocaína mais que duplicaram e tiveram um aumento percentual de aproximadamente 225% e 105%, respectivamente. Já as apreensões de ecstasy tiveram a melhor marca percentual. A subida notável da margem revela um aumento de 1.683% nas apreensões de 2011, se comparadas ao ano anterior. Em 2012, as apreensões de maconha superaram as do ano anterior em 300%; as de cocaína em 214% e as de ecstasy em 154%.

FORÇA E INTELIGÊNCIA

À frente da Delegacia Estadual de Repressão a Narcóticos (Denarc) desde janeiro de 2011, Odair José Soares aponta que alguns resultados atuais devem a mudanças em seus trabalhos. “Procurei inovar. Tanto no quadro de agentes da delegacia, quanto no modo de agir. Buscamos sempre a inteligência. Quase não são vistos homens desta delegacia nas ruas, a não ser para cumprir mandados. Vigiamos de dentro das salas e depois damos o bote certo”, diz o delegado.

Animado com os resultados, Odair não se diz satisfeito. “São boas ações e penso que nosso trabalho tem dado certo, mas a bandidagem é inteligente e safa. Eles conseguem inovar as suas ações e nós devemos fazer isso daqui para frente. Ainda temos muita dificuldade pela quantidade de pessoal, que ainda é reduzida, mas fazemos o possível. Se com número de agentes e escrivães aquém do necessário estamos com esses crescimentos, com um prejuízo de pelo menos R$ 500 milhões ao tráfico, neste ano, quem dirá com a equipe completa”, estima.

Inicialmente o foco era prender e apreender a matéria de comercialização do grande traficante – se a droga não entrasse no Estado, não abasteceria as bocas de fumo. Depois de algumas exigências, a delegacia passou a atuar em duas frentes. Equipes que já estavam em investigações para coibir o traficante que importava a droga de fora, continuaram os trabalhos e mostravam resultados. Por outro lado, equipes compostas por agentes, delegados e escrivães diminuíam o tráfico de drogas nas bocas de fumo. “A população começou a reclamar e nós tínhamos que mostrar que não só aquele que traz uma tonelada de maconha deve ser preso, mas aquele que vende uma pedra de crack a R$ 5 também tem que pagar pelo erro”, justifica.

Uma boca de fumo a cada quatro ruas

Em Goiânia, uma pessoa denuncia tráfico de drogas a cada meia hora. O dado é da Polícia Civil de Goiás, que por meio da Delegacia Estadual de Narcóticos (Denarc) fez um mapeamento das ruas onde o tráfico é mais denunciado. O levantamento servirá para futuras operações e foi solicitado à reportagem do DM que não divulgasse os locais, para prevenir que os possíveis traficantes não tomassem conhecimento das denúncias anônimas. Entre 1º de janeiro e 20 de setembro deste ano quase 3,6 mil denúncias foram feitas pelo Telefone 197 da Polícia Civil. Isso corresponde a 13 telefonemas por dia, ou uma média de 4,8 mil ligações por ano.

As ligações apontam uma denúncia de tráfico de drogas para cada 3,5 das 12.526 ruas de Goiânia, conforme informações da Secretaria Municipal de Planejamento (Seplam). Conforme o delegado titular da especializada em narcóticos de Goiânia, Odair José Soares, “é como se houvesse uma boca de fumo a cada quatro ruas de Goiânia, ou pelo menos seis pontos de venda em cada bairro”, diz. O delegado acredita que a solução para Goiânia seja difícil, mas não é impossível. “Em pouco mais de 4% dos bairros de Goiânia se concentram mais que a terceira parte de denúncias à Polícia Civil”, salienta o delegado.

No Jardim Novo Mundo, conforme o delegado, houveram 156 denúncias concentradas em 154 ruas. o Bairro é seguido do Conjunto Vera Cruz e suas extensões, com 92 ligações. “As maiores incidências de denúncias estão na Rua Blumenau, com 11 denúncias e Uruguaiana, com sete chamados. “Vamos focar agora nos traficantes de menor porte. Temos que atuar também contra os grandes traficantes, mas agora teremos a preocupação de agir efetivamente contra os que vendem pequenas porções. Entendemos que esses são tão ou quanto importantes na devastação da sociedade”, enfatiza Odair José Soares.

SAIBA MAIS

Ao total, foram desencadeadas mais de 30 operações. Veja a seguir 25 das ações de 2011 até 2012:

1- No dia 20 de abril de 2011, no Centro de Goiânia, foram apreendidos uma arma e 10 quilos de cocaína. Seis foram presos em flagrante, em um laboratório de refino de cocaína. Pelo menos 12 policiais estiveram envolvidos na operação.

2- No mês seguinte, em maio de 2011, mais um laboratório de refino de cocaína foi desmontado pelos agentes da Denarc. Pelo menos duas pessoas foram presas por 10 policiais, que apreenderam um quilo e meio de cocaína.

3- No último dia de maio de 2011, uma pessoa foi presa com um quilo e meio de maconha, na região sudoeste da Capital.

4- Em junho de 2011, 10 quilos de pasta base para cocaína, um fuzil, um silenciador para pistola, munições de vários calibres, além de balanças de precisão e prensas para refino, foram apreendidos em uma ação da Denarc. Uma pessoa foi presa e a Justiça autorizou o sequestro de bens do preso, como um automóvel – que já é viatura da Polícia Civil – três casas e uma chácara.

5- No dia 14 de junho, 10 quilos de maconha foram apreendidos com uma pessoa presa. A prisão e apreensão do entorpecente foram realizadas em Teresópolis de Goiás.

6- O combate ao tráfico saiu das divisas de Goiás e passou a agir contra contrabandistas que traziam drogas do exterior para abastecer Goiás. No dia 27 de junho de 2011, foram apreendidas 1,06 mil quilos de maconha, embalada e colocada na carroceria, entre uma carga de panelas, em um caminhão. Sete pessoas foram presas na divisa com Mato Grosso. A Justiça já sequestrou os bens dos envolvidos no crime: dois caminhões, uma fazenda no Mato Grosso do Sul e uma caminhonete S-10.

7- No primeiro dia de julho de 2011, 100 quilos de cocaína, além de material para refino, como ácido e outros, foram apreendidos num laboratório na região noroeste de Goiânia. Quatro pessoas foram presas, uma arma de fogo e dois veículos foram apreendidos.

8- O tráfico internacional também foi alvo da delegacia, no dia 5 de agosto de 2011. Cinco pessoas foram presas em Goiânia e Bela Vista de Goiás. Um inquérito foi instaurado na Justiça Federal. Pelo menos 63 quilos de cocaína foram apreendidas. A Justiça Federal sequestrou 16 automóveis, 14 motocicletas e uma fazenda no Município de Bela Vista.

9- No dia 17 de agosto de 2011, Cinco pessoas foram presas em flagrante depois de descoberta uma indústria do crime que fazia entregas de drogas aos usuários de Goiânia. Quatro armas e três quilos de crack foram apreendidos.

10- A “Operação Sintetizada” foi desencadeada no dia 23 de agosto de 2011. Cinco pessoas foram presas em flagrante na região leste de Goiânia, com 1000 comprimidos de Clobenzorex – droga conhecida como Ecstasy. Uma caminhoneta foi apreendida.

11- No segundo dia de setembro de 2011, duas pessoas foram presas com três quilos e meio de crack. As prisões e apreensões foram nas regiões leste e noroeste da Capital.

12- A “Operação Alçapão” foi desencadeada no dia 11 de outubro. Três pessoas foram presas em uma caminhonete, na região leste da Capital. Uma arma de fogo e 100 quilos de maconha, em um alçapão na carroceria do veículo também foram apreendidos.

13- No dia três de novembro, duas pessoas foram presas com 53 potes de anabolizantes. Os suspeitos estavam na Região Sudoeste de Goiânia e distribuíam as drogas em academias de musculação.

14- A Operação “Golpe Final” foi realizada no dia 5 de novembro, quando 8,5 toneladas de drogas foram incinerados pela Polícia Civil, no Porto Seco de Anápolis

15- A “Operação Naja”, foi em janeiro deste ano. Quatro pessoas foram presas com 200 quilos de cocaína, em Goiânia, quando tentavam sair da Capital num caminhão e numa caminhonete.

16- “Ecológica” foi o nome de uma operação dada para combater o tráfico de droga em grande escala. Pelo menos 700 quilos de maconha preparada com acréscimo de menta, foram apreendidos na Região Metropolitana de Goiânia. Duas pessoas foram presas e uma caminhonete sequestrada judicialmente.

17- Em maio deste ano, oito quilos de pasta base de cocaína foram apreendidos. Uma pessoa foi presa na saída de Goiânia para Guapó, num ônibus de transporte irregular de vendedores ambulantes.

18- O “Rei da Maconha” foi preso em abril de 2012. Três pessoas foram para trás das grades e 1,3 mil quilos da droga, mais um pé de cannabis sativa foi apreendido. Duas pistolas e dois veículos foram encontrados com os suspeitos.

19- A “Operação Letrados” se baseou em uma ação para prender três universitários que vendiam comprimidos de Ecstasy. Mil cápsulas do entorpecente foram encontradas com os suspeitos no aeroporto de Goiânia, preparados para exportar a droga.

20- Em setembro, os agentes da Polícia Civil apreenderam 202 quilos de pasta base de cocaína; 12 quilos de cocaína refinada; uma tonelada de maconha; cinco veículos e R$ 147 mil. Duas pessoas foram presas em Aparecida de Goiânia, num esquema de lavagem de dinheiro.

21- No dia 13 de outubro, 150 quilos de maconha seriam levados à cidade de Belém, no Pará. A operação intitulada “Círio de Belém” impediu que os suspeitos conseguissem levar o entorpecente para ser comercializado no Pará, durante festividades religiosas. Duas pessoas foram presas com as duas malas cheias de maconha e uma delas estava com uma pistola de uso exclusivo da Polícia Militar.

22- Em junho, 1,5 mil comprimidos de ecstasy e 36 caixas com 50 ampolas de lança-perfume, em cada, foram apreendidos. Anabolizantes, porções de cocaína e estimulantes sexuais de venda proibida no País foram levadas à delegacia. Três pessoas que distribuíam o material em boates e academias de Goiânia foram presas.

23- “Teacher” foi o nome da operação que prendeu seis pessoas, entre elas um matemático que dava aula em colégio público. Com ele os policiais encontraram um quilo de pasta base de cocaína, um quilo de cocaína refinada, material para refino da droga e seis veículos usados para atividade criminosa.

24- “After” foi uma operação desencadeada em setembro, para prender um personal trainer, que traficava ecstasy, estimulante sexual, anabolizante e lança perfumes. Pelo menos 210 ampolas de lança-perfume foram encontradas, 200 comprimidos de ecstasy, anabolizante e estimulante sexual foram apreendidos. Duas pessoas foram presas.

25- “Operação Fim de Ano” foi a ação policial capaz de apreender 600 quilos de maconha de uma só vez, agora, no primeiro dia de dezembro. A droga estava em uma casa em Aparecida de Goiânia e duas pessoas foram presas em flagrante. Um veículo foi apreendido.

26- Está previsto para acontecer no próximo dia 18 de dezembro de 2012, a incineração de mais seis toneladas, cento e cinco quilos e trezentos e cinquenta e uma grama – esse valor pode ser mudado caso chegue alguma ordem judicial antes da queima. O local definido para acontecer a ação é o Porto Seco de Anápolis.

Fonte: Diário da Manhã
Texto: Jairo Menezes
Foto: Anselmo Jarbas