Menor estudante de Computação é apreendido pela Polícia Civil fraudando contas bancárias

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Menor fraudava contas de banco

Dados de vítimas, geralmente empresas, eram pegos pela internet e dinheiro transferido para contas abertas por ele e comparsa

Carla de Oliveira

Um adolescente de 17 anos, apreendido pela Polícia Civil no final da tarde de quinta-feira (26.12), comandava, de um apartamento no Setor Bueno, um esquema de fraude contra correntistas do Banco Santander. Pela internet, o menor pegava os dados bancários das vítimas, geralmente empresas, e conseguia realizar transferência para contas abertas por ele e Gean Divino Gomes da Silva, de 37 anos.

Ele também fazia o pagamento de boletos bancários, de altos valores, usando contas de terceiros. Pelo serviço, cobrava de 10% a 20% do pagamento feito. O adolescente tinha contatos e repassava o serviço de pagamento para pelo menos outras três pessoas, no Maranhão, no Pará e em Goiânia. Estudante de Engenharia da Computação, já no terceiro período do curso, ele é quem distribuía os boletos a serem pagos e reunia o dinheiro.

No apartamento usado para aplicar o golpe, a Polícia Civil encontrou boletos de diversas empresas, em valores que variavam de R$ 10 mil a R$ 57 mil. Somente os boletos apreendidos somam, segundo estimativa do delegado Marco Antônio Morbeck, adjunto da Delegacia Estadual de Investigações Criminais (Deic), responsável pelo caso, entre R$ 300 mil e R$ 500 mil.

Na verificação em um dos computadores apreendidos – a polícia recolheu três notebooks, CPUs e vários celulares – foram encontrados boletos pagos de setembro de 2011 até ontem, quando o adolescente foi apreendido realizando pagamentos. Ele também conversava, via chat, com as outras três pessoas responsáveis por efetuar os pagamentos em outras cidades.

Os boletos encontrados pertencem a empresas de vários ramos de atividade, entre eles de materiais de construção civil, revenda de veículos e de eletroeletrônicos. “Algumas empresas compravam os carros financiados, faziam o pagamento dos boletos por meio do esquema e vendiam depois já quitados”, cita o delegado.

A polícia chegou aos dois integrantes do esquema depois de terem sido avisada pela Caixa Econômica Federal sobre a abertura de uma conta com documentação fria e que, em dois dias, já teria recebido cerca de R$ 100 mil em transferências feitas de contas de pessoas jurídicas (empresas), todas do banco Santander, onde o adolescente tinha conta.

Algumas das transferências já haviam sido bloqueadas em função de reclamações dos titulares das contas, que não reconheciam a operação. Gean foi preso na agência da Caixa, quando se preparava para sacar R$ 19,4 mil. Ele, segundo Morbeck, tinha feito previsão de saque de um valor mais alto, mas só foi liberado a quantia de R$ 19,4 mil.

A partir dele, a polícia chegou ao adolescente, que portava documento falso, com a idade maior. Só ontem a polícia conseguiu confirmar que se tratava de um menor.

Fonte: O Popular
Foto: Google (Ilustração)