Jovem de 21 anos é indiciado por ter matado amigo de infância que estragou relógio

437
g1
Paulo César Nascimento

O auxiliar de almoxarife Paulo César Nascimento, de 21 anos, foi indiciado por matar o amigo de infância Valter Ferreira Borges, de 19, em Goiânia. O crime ocorreu na noite de 23 de julho de 2013, no Bairro Floresta. Segundo a Polícia Civil, o motivo do homicídio foi o fato de a vítima estragar um relógio do suspeito durante um acidente de trânsito. No entanto, ao ser apresentado, no dia 10 de abril, Paulo César negou ter matado Valter, pois disse que eles “eram grandes amigos”.

Segundo o delegado responsável pelo caso, Valdemir Pereira, da Delegacia de Investigações de Homicídios (DIH), Paulo César agiu com um comparsa, o cantor de rap Wellington Santos de Jesus, de 24 anos, que está foragido. A Justiça já expediu o mandado de prisão preventiva do rapaz, mas a polícia não tem informações da localização dele.

Pereira revelou que, dias antes do crime, Wellington ligou para Valter, que era serralheiro, e o ameaçou. Na ligação, ele disse à vítima: “Se você ficar falando mal de mim, você vai ver o que eu vou fazer com você”.

Valter contou aos pais sobre os problemas com a dupla. Mãe do serralheiro, Sirlei da Silva Borges relatou que chamou Paulo César em sua casa para pagar o relógio que o filho estragou devido a um acidente de motocicleta, mas ele não quis o dinheiro. “Queria pagar outro relógio ou dar um igual, mas ele me disse que custou R$ 1 mil, que não precisava, que não dava nada”, contou a mulher.

No entanto, o suspeito disse que o relógio “custou R$ 12 na feira” e que jamais mataria alguém por causa disso. “Minha mãe é empregada doméstica, meu pai é pedreiro, com que condições eu ia ter de comprar um relógio de mil reais”, disse o auxiliar de almoxarife em sua defesa.

Crime
De acordo com a investigação, no dia do crime a vítima caminhava pela Rua BF-21, acompanhada de um amigo. Na ocasião, eles foram alvejados por um jovem que estava na garupa de uma motocicleta.

Valter morreu no local. Já o amigo dele foi atingido na perna, socorrido e sobreviveu. Atualmente, ele tem 19 anos.

Para o delegado, não há dúvidas que o piloto do veículo era o cantor de rap e o garupa, Paulo César. Testemunhas relataram ao delegado que, minutos antes do crime, viram Wellington passando de carro região. Além disso, os dois suspeitos são amigos.

Conforme o delegado, os rapazes chegaram a ameaçar de morte testemunhas, caso depusessem contra os autores. “O Paulo César fala que não conhece, que nunca viu o Wellington, mas já provamos que ele não está falando a verdade. As provas testemunhais são evidentes de que eles cometeram o homicídio”, ressaltou Pereira.

Prisão
A prisão de Paulo César ocorreu no último dia 27 de março. Policiais militares o detiveram por porte ilegal de arma de fogo, um revólver calibre 38. Depois de registrado o flagrante, a Polícia Civil soube da prisão dele e o interrogou.

O delegado adiantou que vai pedir o exame de balística para comparar o projétil que atingiu Valter com o da arma apreendida com o suspeito. O calibre é o mesmo, mas ainda não há como afirmar que se trata do mesmo revólver.

Depois de três dias da prisão do suspeito, o delegado concluiu o inquérito e o remeteu à Justiça. Paulo César e Wellington foram indiciados por homicídio qualificado por motivo fútil e pela tentativa de homicídio. “A frieza de Paulo César surpreende. É muita covardia, falta de consideração, ele pedia benção para a mãe da vítima”, diz o delegado.

De acordo com Pereira, o auxiliar de almoxarife já tinha duas passagens, sendo uma por roubo e outra por porte ilegal de arma de fogo. O cantor de rap também possui dois antecedentes criminais, mas o delegado não soube informar por quais infrações, pois o sistema da corporação estava fora do ar nesta manhã. A vítima não tinha passagens pela polícia.

Segundo a mãe de Valter, a “família acabou” após o crime, por isso, eles fizeram questão de acompanhar a apresentação do suspeito. “Meu filho mais velho já até tinha doado sangue para o Paulo César e ele teve coragem de fazer isso. Ele acabou, destruiu com a minha vida e a da minha família. Meu filho era querido e amado”, lamenta Sirlei.

Fonte: G1 Goiás
Foto: G1 Goiás