Mais de 2 mil pessoas podem ter caído em golpe na internet. É o que aponta a investigação da PC

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Grupo teria conseguido mais de R$ 2 milhões. Menos de 24 horas depois de caso ter sido divulgado, mais de 40 vítimas procuraram delegado responsável por investigação

 

A Polícia Civil goiana recebeu só ontem(26.11) cerca de 40 ligações de pessoas que foram vítimas de fraude ao comprar nos sites www.newbestshop.com.br e www.freeshopinformatica.com.br. A suspeita é de que o golpe tenha sido aplicado em pelo menos 2 mil pessoas, que podem ter sofrido prejuízo de R$ 2 milhões, segundo o delegado Valdemir Pereira da Silva, da Delegacia Estadual de Crimes contra o Consumidor em Goiás. Ele acredita também que pelo menos outros dez sites estejam aplicando o mesmo tipo de crime.

A fraude da venda pela internet, em que os clientes pagavam mas não recebiam o produto, foi desbaratado pelas polícias civil de Goiás e do Tocantins, que prenderam a quadrilha envolvida no crime na semana passada, em Palmas. Seis pessoas foram presas e indiciadas por formação de quadrilha, estelionato e falsidade ideológica (veja quadro). Um está foragido: Washington Marques Carneiro.

A investigação durou quatro meses, parte do tempo devido à greve da Polícia Civil. O inquérito foi enviado à Justiça e hoje o delegado deve abrir mais dois procedimentos para investigar o mesmo tipo de crime. O esquema foi revelado em reportagem do programa Fantástico, da TV Globo, na noite de domingo.

Uma “oferta imperdível” é o primeiro indício de que você pode estar perto de perder dinheiro. A vantagem financeira era o principal atrativo usado pela quadrilha que, nos últimos dois anos, aplicava golpes pela internet. Durante a investigação, a polícia conseguiu bloquear R$ 607 mil nas contas das duas empresas e de pessoas ligadas a elas. Este dinheiro representa a esperança dos clientes enganados de serem ressarcidos, por meio da Justiça. O delegado conseguiu ainda bloquear R$ 219 mil em uma conta ligada à empresa Franca Eletro (www.francaeletro.com.br), também, segundo ele, usada para aplicar golpes.

A Polícia Civil apreendeu computadores e demais equipamentos em poder dos indiciados. Nos dispositivos, encontrou fotos e vídeos que mostram o estilo de vida bancado com dinheiro das vítimas de todo o País, enganadas via internet. Uns deitados sobre dezenas notas de R$ 100, outros em voos de helicóptero ou empinando motocicletas esportivas. Seis carros foram apreendidos; entre eles, um Mercedes C-180.

O advogado de defesa de quatro dos seis presos, Gilberto Carlos de Morais, afirma que “os fatos não condizem com o que foi investigado até agora e há necessidade confrontar com o que eles vão dizer”.

Disfarce para ficar realista

A estrutura da organização criminosa contava com esquema de maquiagem da fraude, com dados de empresas reais, e de lavagem de dinheiro, com a transferência de valores entre pessoas jurídicas, antes que fossem sacados pelos reais beneficiários. “A intenção deles é lavar o dinheiro”, afirma o delegado que presidiu o inquérito, Valdemir Pereira da Silva, da Delegacia do Consumidor (Decon).

A lavagem consistia em transferir o dinheiro das contas das empresas falsas para outras contas jurídicas em nome de diferentes empresas falsas. Ou para a conta de uma empresa existente, que pertence a Franco Douglas Castro. A empresa vende perfumes e lingerie, afirma o delegado. O policial diz ter encontrado perfumes do Paraguai durante a busca e apreensão, o que configuraria contrabando.

Produto comprado em agosto de 2010 ainda não foi entregue

A Agente da Polícia Civil Larissa Alamy se identificou com as vítimas de golpe mostrada pelo Fantástico. Em agosto de 2010 ela comprou uma câmera digital de uma loja virtual chamada Informática Millenius e até hoje não recebeu o produto. Segundo ela, além da empresa também ter sua sede em Tocantins, na cidade de Taguantinga, a página da empresa da qual efetuou o pagamento para era muito parecida com a mostrada pela reportagem do Fantástico. “Tenho quase certeza (que é a mesma empresa). As páginas eram muito parecidas e a forma de atendimento também”, comenta a agente.

Ela comenta que foi atendida por duas pessoas diferentes e que parecia mesmo que estavam em uma sala de call center. “Em relação ao dinheiro, sei que é uma coisa perdida, mas é bom saber que está acontecendo alguma coisa com eles. Há dois anos estou tentando.”Ela ressalta que em uma consulta na internet, em fórum e sites de reclamação, viu que nenhum consumidor da loja que tinha postado mensagens havia recebido o produto adquirido.

 

Fonte: O Popular
Texto: Pedro Palazzo
Charge: Google(Ilustração)