Maurício Sampaio, suspeito de ser o mandante da morte de Valério Luiz, é preso pela PC

483
Maurício Sampaio: preso em casa pela Polícia Civil

O empresário Maurício Borges Sampaio, 54 anos, ex-vice-presidente do Atlético Clube Goianiense, foi detido no início da tarde de ontem em sua residência, no Setor Oeste, em Goiânia, em cumprimento a mandado de prisão temporária expedido pela juiza de Direito plantonista Denise Gondim de Mendonça. O empresário aparece nas investigações da Polícia Civil como o possível mandante do assassinato do comentarista esportivo Valério Luiz de Oliveira, 49 anos, ocorrido no dia 5 de julho do ano passado, no Setor Serrinha, na capital. Seu interrogatório está marcado para esta segunda-feira, no período da manhã.

Segundo a titular da Delegacia Estadual de Investigações de Homicídios (DIH), Adriana Ribeiro de Barros, Maurício Sampaio, que estava em seu apartamento, na Rua 1, no Setor Oeste, na companhia de familiares, não reagiu à abordagem policial, embora tenha manifestado surpresa com o mandado de prisão. Logo que foi comunicado, ele se apressou em sair à frente da polícia sob os protestos da família, que chegou a dizer que os delegados estavam cometendo uma injustiça. O mandado de prisão foi apresentado por Adriana Barros e pelo colega da DIH, Cleiton Alencar, que estavam acompanhados de agentes policiais.

Sem almoço, Maurício Sampaio foi levado para a carceragem da DIH. Imediatamente, várias pessoas chegaram ao local, entre elas os ex-desembargadores e ex-presidentes do Tribunal de Justiça de Goiás, Byron Seabra Guimarães e Charife Oscar Abrão, atualmente atuando como advogados, e os também advogados Ruy Cruvinel Neto e Neilton Cruvinel Filho, este último sócio de Maurício Sampaio em vários negócios. Nenhum deles quis conversar com os jornalistas. O grupo permaneceu no pátio da carceragem conversando com o empresário durante toda a tarde. Alguns optaram pela saída dos fundos da delegacia para escapar da imprensa. Por volta de 16 horas, o empresário almoçou ao lado dos seus visitantes.

Adriana Barros informou que Maurício Sampaio será interrogado somente nesta segunda-feira, conforme acordo com os advogados. Ela alegou cansaço para adiar o depoimento, apesar do cumprimento neste sábado do mandado de prisão expedido no início da noite de sexta-feira. Na sexta-feira, todos os delegados da DIH, 35 agentes policiais, além do efetivo do grupo de elite da Polícia Civil, o GT3 participaram de uma operação que culminou na prisão do açougueiro Marcus Vinícius Pereira Xavier, conhecido como Marquinhos, que confessou ter atirado no radialista; de Urbano Carvalho de Malta, que trabalharia para Maurício Sampaio, e do sargento PM Djalma Gomes da Silva, que teria agenciado o crime.

Valério Luiz: Radialista vítima de um crime bárbaro

Urbano, que negou ter vínculo empregatício com Maurício Sampaio, embora tenha admitido ser amigo dele, está na carceragem da DIH, numa cela separada da que foi reservada para o empresário. Em conversa informal com a titular da DIH, Maurício Sampaio confirmou que Urbano prestava serviços para ele, mas negou qualquer relação com o assassinato de Valério Luiz. Ele disse que não tinha interesse em sua morte e que nunca teve qualquer desentendimento com o radialista. “A Polícia Civil trabalha em cima de provas testemunhais e técnicas, algumas têm caráter sigiloso” , afirmou a delegada para justificar o pedido de prisão do empresário.

A viúva de Valério Luiz, Lorena Nascimento de Oliveira, e um de seus filhos, Valério Luiz de Oliveira Filho, ambos advogados, foram para a DIH assim que souberam da prisão de Maurício Sampaio. Eles demonstraram preocupação com a possibilidade do empresário não permanecer detido no final de semana, antes de seu interrogatório. “A gente sabe do poderio econômico dele. Ele pode contratar quantos advogados quiser. Nossa esperança é que o inquérito seja concluído e Maurício Sampaio seja condenado no Tribunal do Júri”, disse o filho do radialista. Lorena Nascimento deixou a DIH direto para o TJ onde acompanharia a movimentação dos advogados de Maurício Sampaio.

Suspeito citou nome de empresário na delegacia

Ao confessar ter atirado em Valério, o açougueiro Marquinhos informou que foi procurado pelo sargento PM Djalma Gomes da Silva e por Urbano Carvalho de Malta 15 dias antes do crime. Ontem, a delegada Adriana Ribeiro comentou que Marquinhos afirmou que ao procurá-lo Urbano teria dito que Valério estava tendo um caso com a mulher de Maurício Sampaio por isso teria de morrer e não poderia demorar. A versão de crime passional não fortaleceu.

Urbano teria entregue ao açougueiro uma arma e um celular. Foi através deste aparelho que Urbano teria avisado a Marquinhos o momento ideal para os disparos. Ele ocupava uma casa de Maurício Sampaio na mesma rua da Rádio 820, onde Valério Luiz tinha participado de um programa esportivo. Ao sair, e já dentro de seu veículo, foi surpreendido pelo atirador que estava numa motocicleta preta. O veículo e o capacete usados por Marquinhos no dia do crime foram apresentados ontem pela DIH. A arma do crime ainda não foi localizada.

Por volta de 17h30 o secretário de Segurança Pública e Justiça, Joaquim Mesquita e o diretor da Polícia Civil, João Carlos Gorski estiveram na DIH. Mesquita afirmou que o objetico é concluir o inquérito em menor tempo possível e que o fato de Maurício Sampaio ser um homem poderoso “não tem nenhuma relevância”. A família do radialista foi informada de que um pedido de habeas corpus em favor do empresário seria impetrado ainda na noite deste sábado.

Quem é o empresário

Maurício Sampaio é titular de cartório e foi vice-presidente do Atlético Goianiense.

Maurício Borges Sampaio tem 54 anos e atua em vários ramos. Mas sua principal atividade é a titularidade do 1º Tabelionato de Protesto e Registro de Pessoas Jurídicas, Títulos e Documentos de Goiânia. No papel de cartorário, ocupa a presidência da Associação dos Notários e Registradores do Estado de Goiás (Anoregue-GO).

Atualmente, todos os registros de contratos de alienação fiduciária, realizados entre credor e devedor de veículos, são feitos no cartório de Maurício Sampaio. Isso ocorre desde 2008, quando os cartórios firmaram convênio com o Detran-GO. Somente o dele está apto para registrar. Isso significa que qualquer contrato de compra de veículo por financiamento, em Goiás, só pode ser registrado por esse cartório.

Proprietário de escolas e imóveis na capital, o empresário também é doador de campanhas políticas. Também atua no ramo midiático: é sócio da Rádio 730 e do Canal Rural. Sampaio entrou para o futebol em 2005, quando o Atlético Goianiense passava por grave crise financeira.

Fonte: O Popular
Texto: Malu Longo
Fotos: Wildes Barbosa( Foto de Maurício Sampaio – Arquivo de O Popular) e G1(Valério Luiz)