Leia o relato de mais uma policial no livro Mulheres de Delegacia – Geralda Ferraz

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Geralda da Cunha Teixeira Ferraz

<p>Geralda Ferraz</p>

...a urgência do atendimento e o trabalho em equipe, reuniram neste ambiente, pessoas com quem aprendi o significado de valores como respeito, dedicação, generosidade e amizade.

O ano era 1984, concurso longo, muita luta. Sem saber datilografar, sentei ao lado da minha irmã Lourdes. Repetia tudo que ela fazia, deu certo. Fui aprovada e ela também! Escriturária, Escrevente e Escrivã de Polícia. Terceiro Distrito Policial, Posto Policial do HC, Supervisão da DGPC, Instituto de Identificação e IML. Em 2001, passei a trabalhar nas Assessorias de Imprensa: CONEM, Gerências de Comunicação da SSPJ e da SEMIRA. Fui a 1ª coordenadora do Centro de Referência pela Igualdade. De volta a Polícia Civil, trabalho na Assessoria de Imprensa e desenvolvo atividades  relacionadas às temáticas dos Direitos Humanos, Educação, Comunicação e Relações de Gênero.

Os princípios éticos herdados de meus pais e a experiência acumulada na Educação e na Polícia Civil fundamentaram a minha compreensão de mundo  e o meu posicionamento frente à vida. Não tinha planos de ser policial. Em 28 anos de profissão aprendi a amar o que faço, vendo a importância da Polícia Civil na vida das pessoas, principalmente as empobrecidas, pessoas implorando dignidade. A minha trajetória foi marcada pelo trabalho nos plantões. Trabalhar em plantão nunca foi visto com bons olhos, porém as peculiaridades deste trabalho reúnem neste ambiente, pessoas com quem aprendi o significado de valores como respeito, dedicação, generosidade e amizade.  Quantas vezes trabalhávamos com pouco ou nenhum recurso, sem que isto servisse de desculpas para omissões? Quantas vezes nos amparávamos uns aos outros, convivendo com as dores alheias? Em outros momentos, era com o sorriso que enfrentávamos as intempéries da lida noturna.

Lembro-me de algumas situações emblemáticas na Polícia Civil. Em 1986, prenúncio da abertura política, a 1ª greve dos Policiai Civis. A paralisação foi geral, a ponto de fechar o IML. Repercussão nacional. Uma época em que a Instituição era um corpo só, as lutas eram comuns. Não havia o corporativismo de classes, como hoje.

Considero que na profissão meu maior desafio como mulher, foi conciliar trabalho, casa, faculdade, marido e filhos, vivenciando as triplas jornadas de trabalho. Foi nesta labuta que me formei em Ciências Contábeis-PUC-GO e Radialismo-UFG-GO, especializei-me em Gestão Escolar, Assessoria de Comunicação pela UFG-GO e Comunicação Pública pela ESPM. Sou casada com o produtor cultural Wilmar Ferraz e mãe do estudante de Musicoterapia Benke Ianomami e de Rayi Kena, que se prepara para o vestibular. Tenho orgulho de ser quem eu sou. Sou grata por todas as dádivas, experiências e conquistas!