Novo Delegado Geral da PC diz, em entrevista ao ‘O Hoje’, que atuará com rigor contra o tráfico

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João Carlos Gorski: jogo duro contra o tráfico

Gorski promete ser duro contra o tráfico

Novo delegado-geral da PC planeja criar um
departamento para intensificar ações de repressão

Dois dias após assumir o cargo de delegado-geral da Polícia Civil, João Carlos Gorski quer ação contundente nos trabalhos de investigação que vêm sendo realizados pela polícia. Embora não cogite grandes transformações e remanejamentos na Secretaria de Segurança Pública e nas delegacias, ele já planeja a criação de um novo departamento para intensificar as ações de repressão ao tráfico de drogas.

Gorski avalia como positivo o trabalho de apuração aos crimes de homicídio no Estado, e aponta a greve da polícia no ano passado como entrave para a apresentação de um trabalho majoritariamente eficaz. Gorki está há 14 dias no cargo, quando assumiu interinamente no lugar de Adriana Accorsi.

A primeira ação do delegado será edificar um departamento novo que abrangerá o Departamento de Investigação Sobre Narcóticos (Dnarc) junto com os grupos de repressão que existem nas 15 delegacias regionais. O objetivo é, segundo ele, aprofundar o trabalho de repressão narcótica com a implantação de banco de dados, uma ação coordenada para pegar os grandes traficantes. “Todo traficante migra de lugar, de cidade. Queremos alcançá-los e não só prender o traficante e a droga, mas descapitalizá-los. Esse é o principal foco hoje. Não adianta você prender o traficante e a droga, se tiver capital, ele continua dentro do presídio comandando esse tráfico de droga. Funciona como uma empresa, se faltar um diretor, outro substitui. Então, queremos destituir também o patrimônio deles”, disse.

Gorski reafirmou que seu trabalho será de continuidade ao da delegada Adriana Accorsi, focado na preservação da vida e na repressão ao tráfico de drogas. “Estamos estruturando a delegacia de combate ao crime organizado, como também fazendo frente às organizações criminosas que por ventura atuem ou pretendam atuar em Goiás”, afirmou. Para ele, o trabalho da Polícia Civil tem sido qualificado e, por isso, não pretende realizar mudanças radicais, mas pontuais. “A polícia está funcionando muito bem. Ano passado tivemos uma atividade muito intensa e em muitos trabalhos ela foi eficaz. Se tiver mudanças, serão mudanças pontuais que qualquer administração faz. Mas não considero necessário, pois as pessoas que estão à frente das delegacias são pessoas competentes, dedicadas”, ressaltou.

Índice de resolução de homicídios é de 50%

Em resposta aos estudos que apontam Goiás como um dos Estados em que menos se esclarece os crimes de homicídio, o delegado-geral disse que existem passivos ao que se refere ao ano de 2007 e anteriores, e que o trabalho de apuração de crimes contra a vida passou por mudanças significativas, como a de colher a prova do crime imediatamente e proporcionar atendimento 24 horas. Segundo ele, o índice de resolução de crime de homicídio em Goiás chega, hoje, a 50%. “No Brasil, existem municípios que chegam a 8% de apuração. O nosso ainda está assim (com 50%) porque passamos por três meses de greve no ano passado. Já chegamos a 60%, e se não fosse o empecilho da greve, chegaríamos a 65%. Esse passivo existe, mas são fatos que remontam o passado, de 2007 para traz. Nenhuma polícia do mundo soluciona 100% dos casos, apesar de reconhecermos que isso é muito ruim”, declarou.

Ele diz que foi montada uma força tarefa para trabalhar nos inquéritos antigos. “E para os de hoje, melhoramos o nosso trabalho, primamos pela coleta no local do crime, o que é fundamental para apuração qualificada. Ano passado não se fazia isso porque era um passivo muito grande”, explicou. De acordo com ele, os inquéritos antigos estão passando por uma análise cuidadosa. “Existe um grupo que está trabalhando a meta 2, que a gente chama de meta 2, que é a meta nacional”, contou.

Gorski diz que lamenta o grande número de assassinatos a moradores de rua, uma das maiores preocupações da polícia recentemente. Justifica, no entanto, que há seis meses o número de moradores de rua aumentou, e eles passaram de consumidores de drogas para traficantes, o que culmina no índice de mortes. “Antigamente, eles compravam, hoje passaram a fornecer, comercializar, a se tornar pequenos traficantes. Então, temos alguns casos que envolveram arma de fogo, facas e pedras. Dos casos que acontecerem, 11 já foram apurados com condições para ser julgados. Houve uma ação muito rápida da polícia”, defendeu. “Estamos dando essa resposta, tratando o morador de rua com respeito”, completou.

Em relação ao furto de veículos, disse que a Delegacia de Repressão a Furtos e Roubos tem feito trabalho bom. Segundo ele, o índice hoje é de 80 a 90% de recuperação dos veículos. “O nosso maior problema em relação a esse tipo de crime é que as pessoas não estão ficando presas. Há rotatividade muito grande, e a legislação é branda”, afirmou.

Fonte: O Hoje
Texto: Loren Milhomem