O castigo: Polícia Civil indicia enfermeira de Formosa por maus tratos contra cachorro Yorkshire

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A Polícia Civil de Goiás concluiu o inquérito instaurado contra a enfermeira Camilla Correa  Alves de Moura Araújo dos Santos, de 22 anos, acusada de espancar até a morte um cachorro da raça yorkshire em Formosa, no entorno do Distrito Federal, em dezembro do ano passado. A enfermeira será indiciada pelos maus-tratos praticados contra o animal e por submeter a filha pequena a constrangimento – o crime ocorreu na presença da criança. Poderá ser condenada a pena máxima de 5 anos e 6 meses de detenção. Mas não deve ser presa, porque o cumprimento deverá ser inicialmente em regime aberto ou semiaberto.

À delegada da 2ª Delegacia de Polícia de Formosa, Renata Brandimarte, Camilla disse, em depoimento, que não estava nervosa no dia do episódio. Afirmou que teria batido no animal porque o cachorro fez “suas necessidades” por toda a casa. “Ela disse na delegacia que agiu daquela forma com o intuito de educar o cachorro”, diz a policial civil. As sessões de espancamento foram gravadas por um vizinho e serviram de base para abertura da investigação. De acordo com a delegada Renata Brandimarte, as filmagens comprovam que o animal apanhou em dois dias seguidos.

“Ela diz não se lembrar de ter batido na cabeça do animal com um balde, o que pode ser claramente visto nas imagens”, afirma a policial. Camilla não admitiu à polícia que, em determinado momento, arremessou o animal contra o chão. “Ela disse que havia uma lagartixa na boca do cachorro e que tirou o cão da grama de uma área comum do condomínio e o colocou na calçada porque ele estaria engasgado com o bicho. Mas o cachorro morreu no momento em que foi arremessado ao chão, cena presenciada por um policial militar que tinha sido chamado ao local por causa das sessões de agressão”, frisa a policial civil responsável pelo inquérito.

Filmagem feita por um vizinho mostra a enfermeira Camilla agredindo o cão da raça yorkshire

Ainda em depoimento, tanto a enfermeira quando o marido dela – que era médico e trabalhava para a prefeitura de Formosa – contaram que chegaram a ficar 24 horas com o cachorro morto dentro de casa, porque não teriam encontrado lugar para enterrá-lo. “Depois, o animal foi colocado numa sacola e jogado numa caçamba de lixo”, conta a delegada. Além do marido, vizinhos e a funcionária doméstica da enfermeira também foram ouvidos como testemunhas no inquérito. O marido e a empregada disseram que aquela tinha sido a primeira vez que o animal fora maltratado, versão contestada pelos vizinhos da acusada.

A enfermeira disse em seu depoimento que acredita ter se excedido no primeiro dia em que as agressões ao animal foram gravadas, mas que “sempre gostou de animais.” O yorkshire, de 4 meses, foi presente dela para a filha de pouco mais de 1 ano. Defendeu que a criança não esboçou reação no dia do fato.

Crimes

A delegada Renata Brandimarte explica que a enfermeira será indiciada pelo crime previsto no artigo 32 da Lei 9.605/1998, a Lei de Crimes Ambientais, que prevê pena de 3 meses a 1 ano de detenção, bem como a crime previsto no artigo 232 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), pelo constrangimento a que a filha da acusada foi exposta, o que pode render de 6 meses a 2 anos de detenção. A criança, segundo a delegada, foi submetida a uma avaliação psicológica. Portanto, afirma, o laudo dos especialistas não foi conclusivo a ponto de determinar que a filha da enfermeira sofrerá trauma por ter presenciado as cenas de espancamento do animal.

A policial civil requisitará à Justiça o aumento de pena considerando que as condutas da enfermeira foram agravadas em razão da morte do animal e também pelo fato de o crime ter tido continuidade, segundo afirma. “Assim, se condenada à pena máxima, a acusada poderá cumprir 5 anos e 6 meses de detenção”, sustenta a delegada.

O advogado de Camilla Correa, Gilson Afonso Saad, confirmou que a enfermeira deixou a cidade de Formosa, onde morava com a família, em parte pelo clima hostil de que foram vítima após o ocorrido. “Ela também não atende mais o telefone nem mantém contas de e-mail ou perfis em redes sociais na internet. Até eu tenho muita dificuldade em falar com ela.” O advogado diz que não perguntou à sua cliente se ela se arrepende de ter agido como agiu em relação ao cão, mas que ela não previa tais consequências.

 

Fonte: O Popular
Texto: Deire Assis