Operação da DECON prende 4 falsos dentistas e fecha consultórios na Grande Goiânia

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Consultórios não tinham condições de funcionamento

A Polícia Civil prendeu quatro homens suspeitos de atuar ilegalmente como dentistas na capital e em Aparecida de Goiânia. Segundo as investigações, eles não têm formação técnica e superior, mas faziam atendimentos como extração de dentes, obturações, restaurações e próteses dentárias. Todos os consultórios, que apresentavam péssimas condições de higiene, foram interditados pelas Vigilâncias Sanitárias dos dois municípios.

De acordo com o delegado Eduardo Prado, da Delegacia Estadual de Repressão a Crimes contra o Consumidor (DECON), os falsos dentistas, que não têm ligação entre si, atuavam de maneira improvisada no Bairro Goiá, Jardim Caravelas e Jardim Nova Esperança, em Goiânia, e no Parque Trindade I, em Aparecida.

Em média, eles faturavam cerca de R$ 7 mil por mês com os atendimentos. Em um dos consultórios, segundo Prado, foi encontrado um equipamento de aplicar resina da década de 1980, cuja matéria-prima não é mais produzida. “Eu fiquei assustado, pois os consultórios eram verdadeiros açougues”, afirmou o investigador.

Além disso, foram encontradas lixeiras com materiais anestésicos expostos, equipamentos sujos de sangue, estufas enferrujadas, materiais sem esterilização, alimentos misturados à fabricação de próteses dentárias, agulhas usadas em pacientes acondicionadas em garrafas, entre outras irregularidades.

“Quem passava pelos procedimentos corria sérios riscos de contaminação por diversas doenças, como hepatite, Aids, entre outras”, destacou a presidente da Vigilância Sanitária de Goiânia, Cristina Laval.

Em nota, o CRO-GO informou que repudia o exercício ilegal da odontologia. O órgão destacou que apenas os profissionais devidamente capacitados e com registros podem atuar.

Investigação
As prisões ocorreram na Operação Hipócrates, que também teve apoio do Conselho Regional de Odontologia em Goiás (CRO-GO), e foi realizada entre os meses de abril e julho deste ano. A suspeita é de que os investigados realizavam atendimentos desde 2009, de acordo com notas fiscais entregues aos clientes.

Ainda segundo a polícia, um dos suspeitos usou a fachada de um antigo consultório odontológico, onde aparecia o nome e registro de uma odontóloga devidamente regularizada, para tentar se esconder. No entanto, a fraude foi descoberta.

Os quatro suspeitos foram ouvidos e liberados. Todos eles irão responder pelo crime de exercício ilegal da odontologia, crime que tem pena prevista de seis meses a dois anos de prisão.

Além disso, um deles também vai responder por porte ilegal de arma, pois os agentes encontraram um revólver calibre 38, sem registro, na residência em que ele mora.

Texto: G1 Goiás
Foto: Reprodução