Mais visados: Diário da Manhã publica matéria sobre os carros da preferência dos ladrões

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Levantamento realizado pela Polícia Civil de Goiás aponta que os veículos mais visados pelos la­drões de Goiânia são Volkswagen Gol, motocicleta Honda 150, Fiat Strada, Uno e Honda Titan. Os veículos roubados ou furtados na Capital são geralmente desmontados e têm suas peças vendidas no mercado negro, ou servem de moeda de troca por drogas. Segundo a Polícia Civil, este ano, em todo o Estado, 3.470 veículos foram furtados e 4.421 roubados até o último dia de setembro.

“A sensação de impunidade em Goiânia ainda existe, mas somente pela falta de infor­mação. Somente este ano, foram recuperados 6.622 veículos em Goiás; destes, somente em Goiânia, 3.041. Os crimes contra o patrimônio têm aumentado, mas a polícia trabalha para coibir. Tanto que nossos presídios estão abarrotados”, diz o ti­tular da Delegacia Estadual de Repressão a Furto e Roubo de Veículos Automotivos (DERFRVA), Edson Carneiro. O delegado assumiu há cinco meses a titularidade da especializada e já desempenhou atividades que derrubaram os maiores esquemas de furtos e roubos de veículos de Goiânia.

O chefe de comunicação da Polícia Militar, tenente-coronel Anésio Barbosa da Cruz Júnior, diz que parte dos veículos que são roubados ou furtados na Capital são comercializados no mesmo local. “Os sujeitos que precisam de peças encomendam os carros ou motos que estejam em bom estado de conservação e esses veículos  têm suas peças transplan­tadas em outros comprados em leilões”, descreve o tenente-coronel, sobre apenas uma das modalidades de crime que os roubos e furtos favorecem. Anésio ainda ressalta que os veículos podem ser levados para fora do País. “Às vezes, o destino desses veículos são alguns países da América do Sul.”

Conforme o delegado da DERFRVA, somente em junho, 108 pessoas foram investi­gadas por furto e roubo de veículos. A maioria dos investigados agiam de dentro da Penitenciária Coronel Odenir Guimarães, em Aparecida de Goiânia. Eles eram responsáveis por 70% dos furtos e roubos de veículos acontecidos em Goiânia e na região metropolitana da Capital. Ao total, 81 suspeitos foram presos em Goiânia, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. “O pior é que a maioria deles estava dentro de presídios, comandando as quadrilhas que agiam aqui de fora. Eles tiveram que voltar para os mesmos presídios onde estavam. Não podemos ter a garantia de que eles não continuam chefiando outras quadrilhas”, diz o delegado Carneiro.

Onde o crime incide

O crime se interiorizou, como adiantou reportagem do Diário da Manhã, de 9 de setembro deste ano, sobre quando 6,5 mil veículos haviam sido roubados nas cidades do interior. Atualmente, a situação não mudou. Somente até novembro, o furto aumentou 18,75% comparado ao mesmo período do ano passado, e o roubo elevou 16,55%, conforme informações estatísticas da Secretaria Estadual de Segurança Pública e Justiça (SSPJ).

“Essa modalidade de crimes acontece sempre onde existe maior ausência do poder do Estado em intimidar. Como em Goiânia foi intensificada a ação policial, o interior foi a escolha das grandes quadrilhas”, descreve o delegado Edson Carneiro, que já realiza grandes operações nas cidades em volta de Goiânia e em regiões onde aumentam os índices de furto e roubo.

Esquecidos

Os dois pátios mantidos pela Polícia Civil de Goiás para abrigar veículos re­cu­pe­rados estão lotados. Isso acontece porque na maioria das vezes os proprietários não são encontrados, conforme res­salta o delegado. “Os proprietários mudam de endereço, ou telefone e não informam para a Polícia Civil. Desta forma, não existe como saber onde eles estão morando, nem há condições de se fazer contato para devolver aquele veículo recuperado anteriormente”, ressalta Carneiro, que solicita aos proprietários de veículos para noticiarem às autoridades todas as vezes que mudarem alguma forma de contato. “Somente assim, quando o veículo for encontrado, poderemos entregar.”

Enquanto isso, as pinturas e latarias de carros e motos são danificadas pelo sol e pela chuva nos pátios, que são abertos. Alguns veículos que entraram novos já se encontram em avançado estado de deterioração, por causa das intempéries do tempo. “Estes (veículos), em algum momento, por autorização judicial, poderão ser leiloados, e o dinheiro revertido ao Estado”, comenta Carneiro.

Alguns proprietários de veículos que foram roubados ou furtados há muitos anos, por conta da dívida com os impostos, preferem não retirálos dos pátios e acham mais barato pagar por um novo carro ou moto. “Para retirar daqui, basta somente comprovar que o bem é dele. Impostos não são cobrados pela Polícia Civil, mas se o proprietário sair com o carro daqui e for parado em uma blitz, pode ter o veículo encaminhado para o pátio do Detran por conta das dívidas de impostos, que com certeza o bandido não pagou”, ressalta.

Fonte: Diário da Manhã
Texto: Jairo Menezes
Foto: Google (Ilustração)