Pela Internet: Polícia Civil está de “olho” nas Torcidas Organizadas de Goiás e Vila Nova

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A ação de torcidas organizadas em Goiânia é alvo de ações das autoridades goianas. Matéria publicada pelo POPULAR ontem (15.01) mostra que três torcidas organizadas dividiram a cidade em territórios.

No início de agosto do ano passado, a Polícia Civil protocolou no Tribunal de Justiça de Goiás o pedido de interdição das sedes das torcidas Esquadrão Vilanovense e Sangue Colorado, do Vila Nova, e Força Jovem, do Goiás, e a suspensão de todas as suas atividades.

Adriana Ribeiro: Delegada da DIH

O inquérito policial apurou que parte dos integrantes das torcidas eram envolvidos em crimes e os indiciou por formação de quadrilha, solicitando que a justiça acabasse com as três maiores torcidas organizadas do Estado, com mais de 20 mil torcedores. O pedido era em caráter emergencial e cautelar.

Cinco meses depois, o inquérito ficou sem efeito. As torcidas ainda existem e abrigam integrantes que marcam pelas redes sociais ataques a rivais. O primeiro assassinato do ano foi decorrente de uma briga entre torcedores pertencentes a Sangue Colorado, do Vila Nova, e a Força Jovem, do Goiás.

Henrique Pereira Soares, de 18 anos, foi assassinado a facadas quando comemorava o réveillon em uma boate no Setor Perim. A delegada Adriana Ribeiro de Barros, titular da Delegacia de Homicídios, disse que por conta do número de assassinatos envolvendo torcedores dos dois times, o trabalho de monitorar a ação de torcedores nas redes sociais ficou a cargo da delegacia.

No caso de Henrique, a Delegacia de Homicídios, já indiciou os dois autores do crime: Wallisson Nogueira Teixeira e Rodrigo Rodrigues Souza, ambos torcedores do Goiás.

Wallisson era namorado de uma torcedora do Goiás, a estudante Pamella Munike Gonçalves Volpato, de 17 anos, morta dia 6 de novembro do ano passado com um tiro na cabeça, quando saia de uma festa com Wallisson, dois primos e uma amiga, na Vila Mauá.

“Os confrontos entre torcidas do Vila Nova e do Goiás estão sendo marcados pelas redes sociais e estamos monitorando tudo. Quando ocorre de marcarem em determinado local, avisamos ao Ministério Público e à Polícia Militar (PM), que é responsável pelo policiamento preventivo”, explicou.

Ao final do inquérito da Polícia Civil, em agosto de 2011, houve também o pedido de proibição de sete líderes das três torcidas de frequentarem os estádios goianos em jogo do Goiás e Vila Nova pelo prazo máximo de um ano.

Eles foram indiciados no inquérito instaurado para apurar as atividades das torcidas organizadas acusados de formação de quadrilha, apologia ao crime e incitação ao crime.

Apesar disso, nenhuma providência prática continua em vigor. A partir do inquérito da Polícia Civil, o Ministério Público firmou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), junto ao Ministério do Esporte, mas com as denúncias de desvio de recursos e troca de ministro, o TAC está em reformulação. Ninguém foi cadastrado.

O cadastramento dos membros de organizadas é previsto em lei desde 27 de julho do ano passado. A obrigação foi acrescentada pela lei 12.299 (de 2010), que alterou a lei 10.671, o Estatuto de Defesa do Torcedor, em vigor desde 2003.

Enquanto medidas preventivas não são tomadas pelo Estado para conter a violência entre torcedores, casos como o de João Paulo Dionísio, de 20, vão continuar acontecendo.

Depois de jogar bola com amigos em uma quadra de esportes de um colégio na Avenida Vinha Del Mar, no Jardim Novo Mundo, ia embora para casa quando ele e os amigos foram cercados por vários torcedores do Goiás, que desceram de dois carros, um Palio azul quatro portas e outro que a vítima não soube identificar.

Os amigos conseguiram correr. João Paulo foi agredido a socos, chutes e pauladas. O grupo fugiu sem ser identificado. João Paulo foi socorrido e levado para o Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo), onde permanece internado .

Fonte: O Popular
Texto: Rosana Melo
Foto: Diomício  Gomes