Ressarcimento: Polícia Civil apura cancelamento de show do cantor Julio Iglesias em Goiânia

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Ingresso mais barato para o show foi vendido por  R$ 150

A Polícia Civil abriu inquérito para apurar a falta de ressarcimento aos clientes que compraram ingresso para assistir ao show do cantor Julio Iglesias, que seria realizado em Goiânia, em novembro do ano passado, mas foi cancelado.

De acordo com o delegado Eduardo Prado, titular da Delegacia de Repressão a Crimes Contra o Consumidor (Decon), mais de 50 pessoas denunciaram que não foram reembolsadas. “Já sabemos que o prejuízo passa de R$ 300 mil, uma vez que o ingresso mais barato custava R$ 150”, destacou.

A apresentação que marcava a despedida do cantor dos palcos estava prevista para o dia 23 de novembro do ano passado, mas a data foi alterada para o dia 27 de novembro. Segundo o delegado, a informação repassada aos clientes foi a de que Iglesias sofreu um acidente em uma praia no exterior e, por isso, não podia realizar o show.

“No entanto, as vítimas relatam que o cantor chegou a fazer uma apresentação no Brasil no dia anterior e também nos dias seguintes ao cancelamento em Goiânia. Por isso, vamos intimar todos os envolvidos, como os organizadores, empresas que venderam os ingressos e quem divulgou para apurar o que aconteceu, de fato, e quais as responsabilidades de cada um. Além disso, vamos ouvir também os representantes do cantor em São Paulo e na Espanha”, explicou o delegado.

Um dos clientes lesados é o professor Sérgio Henrique de Melo, de 40 anos, que comprou dois ingressos para o show, sendo um para ele e um para a mãe. “Paguei R$ 300 pelos dois ingressos, em outubro do ano passado, e, logo depois que houve o cancelamento pela segunda vez, busquei informações sobre como seria ressarcido. Desde então, já liguei inúmeras vezes para a empresa, mas até agora nada. Por isso decidi procurar a Polícia Civil”, explicou.

Segundo o professor, além do prejuízo financeiro, o descaso com o cliente lhe causou revolta. “Eu ligava e a cada dia me contavam uma nova história. A última mentira era a de que, no último dia 12 de fevereiro, iriam ressarcir a todos no Goiânia Arena. Fui lá e não tinha nada. Por isso, decidi procurar um advogado e a Decon, para formalizar uma queixa”, disse.

Acordo
Prado explicou que a empresa organizadora do evento, a GO Music Festival, chegou a firmar um acordo com a Superintendência de Proteção aos Direitos do Consumidor em Goiás (Procon-GO) para ressarcir os clientes. No entanto, não cumpriu com o combinado e uma multa foi aplicada no valor de R$ 20 mil por cada cliente lesado, totalizando mais de R$ 1,6 milhão.

“Como esse acordo não foi cumprido, queremos saber se houve crime de estelionato, apropriação indébita ou outro crime qualquer para que os responsáveis sejam punidos. Dependendo do caso, posso até representar pela prisão dessas pessoas. São várias as vítimas que nos procuram, pessoas idosas, algumas carentes, que ganham um salário mínimo e juntaram o dinheiro para o show, justamente para ver seu ídolo. Isso não pode acontecer”, disse o delegado.

Procurada, a GO Music Festival informou que está processando outra empresa que seria, de fato, a responsável pelo cancelamento do show. No entanto, a empresa não destacou os motivos pelos quais não houve o ressarcimento dos clientes.

O delegado ressaltou que o inquérito deve ser concluído dentro de 15 dias. “Vamos intimar todos os envolvidos para esclarecimentos. Depois, mandaremos as nossas conclusões para o Poder Judiciário. Paralelo a isso, um advogado, que também foi vítima, está representando esses clientes lesados e vai levar o caso à Justiça, pedindo o ressarcimento de todos”, concluiu Prado.

Fonte: G1 Goiás