PC: Adolescentes infratores apreendidos em Aparecida de Goiânia ganham a liberdade

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Última atualização: 20 de fevereiro de 2013 às 11:05 am

Delegada Myriam Vidal: ação visava tirar das ruas, durante o Carnaval, adolescentes infratores em práticas de maior potencial ofensivo, como homicídios, latrocínios e roubos

Polícia Civil chegou a apreender
adolescentes, mas juíza mandou liberar
todos na tarde de ontem (08.002)

 

 “Como sabia que não tinha espaço suficiente para todos na delegacia, escolhi os de maior potencial ofensivo, como homicídios, latrocínios e roubos” Myriam Vidal, titular da Delegacia de Apuração de Atos Infracionais (Depai) de Aparecida de Goiânia

 

Dezessete jovens infratores foram apreendidos no 1º Distrito Policial (DP) de Aparecida de Goiânia na manhã de ontem. A operação foi coordenada pela delegada titular da Delegacia de Apuração de Atos Infracionais (Depai), Myrian Vidal. A intenção era de que os adolescentes ficassem recolhidos durante todo o carnaval. “Acredito que durante as festas a possibilidade de eles realizarem novos crimes aumenta”, avalia a delegada. No entanto, os jovens tiveram de ser levados ao Juizado da Infância e da Juventude de Aparecida e não ficaram apreendidos.

Eles foram julgados pela juíza Stefane Fiúza na tarde de ontem e todos foram liberados. Os adolescentes foram apreendidos após emissão de mandados de busca e apreensão. Eram cerca de 60, mas só 17 foram encontrados nos endereços que constavam nos inquéritos em andamento na Depai. “Como sabia que não tinha espaço suficiente para todos na delegacia, escolhi os de maior potencial ofensivo, como homicídios, latrocínios e roubos”, diz Myrian. Segundo o Juizado, os mandados foram emitidos porque os rapazes estariam em “lugar incerto e não sabido”.

De acordo com a delegada, a maioria dos 60 mandados não foi cumprida porque os jovens não moravam mais nos locais indicados e não havia a intenção de realizar novas buscas. “Dois se mudaram de Estado, outros dois de País e outros dois morreram. Não tivemos notícias do restante”, conta. Agentes do 1º DP demonstraram receio com a presença dos adolescentes. A cela da delegacia tem capacidade para seis pessoas e apenas um agente fica de plantão. “Se todos ficarem aqui isso vai virar uma bomba”, admitiu um funcionário, que preferiu não se identificar.

Privação

“Nossa intenção foi tirar os infratores de circulação e já tínhamos esses mandados emitidos pela Justiça. Resolvemos fazer na manhã antes do carnaval”, alega a delegada. Presidente da Comissão de Segurança Pública e Política Criminal da Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Goiás (OAB-GO), o advogado Rodrigo Lustosa entende que a privação de liberdade só se dá em caráter excepcional. Embora saliente a dificuldade de falar do caso sem ter conhecimento do processo, Lustosa afirma que a apreensão ou detenção é uma medida de cada processo e não pode ser usada como uma política de segurança pública, como o afastamento de infratores durante o período de uma festa.

Fonte: O Popular
Texto: Vandré Abreu
Foto: Cristina Cabral

Publicado pelo Delegado de Polícia Norton Luiz Ferreira – Assessor de Comunicação da Polícia Civil